O Ibovespa quebrou nesta quarta-feira, 15, uma sequência de cinco recordes - 18 ao todo até aqui no ano -, mas conseguiu defender a linha dos 197 mil após tocar mínima na sessão aos 196.966,16. Ao fim, marcava 197.737,61 pontos, em baixa de 0,46%, com giro reforçado pelo vencimento de opções, a R$ 38,3 bilhões. Na semana, ainda sobe 0,21% e, no mês, tem ganho de 5,48%, o que coloca o avanço do ano a 22,72%. Na máxima, voltou a testar o nível dos 199 mil, visto durante a sessão de terça pela primeira vez, nesta quarta a 199.232,46 pontos.
Após uma sucessão de 11 dias em alta, as perdas não foram maiores porque algumas ações de peso no índice conseguiram escapar à correção, notadamente Vale (ON +0,16%) e Itaú (PN +1,10%) e, em menor grau, Gerdau (PN +0,93%) e Bradesco PN (+0,10%). Com o petróleo em leve alta no fim da sessão em Londres e Nova York, Petrobras fechou em baixa de 1,94% na ON e de 2,07% na PN, tendo se mantido no campo negativo ao longo do dia. No setor financeiro, o de maior peso no Ibovespa, destaque para queda de 3,86% em Banco do Brasil ON.
Na ponta ganhadora, Iguatemi (+3,10%), Vibra (+2,80%) e Porto Seguro (+2,71%). No lado oposto, MBRF (-10,38%), Braskem (-5,80%) e Rede D'Or (-5,68%).
O petróleo fechou com variação discreta nesta quarta em sessão marcada por volatilidade, após ter tombado na véspera. Permanecem dúvidas sobre um possível prolongamento do cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio, enquanto investidores ponderam, também, queda de estoques da commodity nos Estados Unidos. Assim, o petróleo WTI para maio, negociado na Nymex, fechou praticamente estável, em alta de 0,01%, a US$ 91,29 por barril. E o Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, subiu 0,15%, a US$ 94,93 o barril.
Nos EUA, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, disse que acredita que os mercados de petróleo podem reagir rapidamente assim que o Estreito de Ormuz for reaberto. E que a economia dos EUA ainda pode crescer 4% este ano, com base em fortes ganhos de produtividade. Nesse contexto de relativa diminuição da aversão a risco, o índice de tecnologia de Nova York, o Nasdaq, fechou nesta quarta em novo patamar recorde, em alta de 1,59%, tendo tocado também máxima no intradia. O índice amplo, S&P 500, subiu 0,80%, mas o Dow Jones caiu 0,15%.
"Com a trégua anunciada na semana passada, houve certo alivio nas cotações do petróleo, hoje [quarta-feira] a cerca de US$ 95 no Brent, a referência global, acarretando uma desvalorização do dólar perante a cesta de moedas de referência, e levando também a moeda brasileira a uma apreciação, hoje ainda a R$ 4,99, com pequeno ajuste na sessão, de -0,03%", observa João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. Ele acrescenta que tal movimento adiciona fluxo de capital estrangeiro na Bolsa, tendo em vista também os juros reais no Brasil, ainda na casa de 9% ao ano, o que também contribui para a valorização do real.
Luise Coutinho, head de produtos e alocação de HCI Advisors, destaca um fator da agenda doméstica, pela manhã, que contribui para a percepção de que os juros têm espaço ainda limitado para uma queda mais vigorosa no País, o que afeta diretamente a demanda do investidor por ativos de renda variável - mas, por outro lado, mantém o apetite estrangeiro vivo, parte dele canalizado para a Bolsa, em razão do carry trade favorável a alocações no Brasil como opção entre os emergentes.
Ela enfatiza a forte leitura do IGP-10 em abril, em alta de 2,94%, após uma deflação de 0,24% em março. "O grande vilão foi o IPA (Índice de Preços ao Produtor, um dos componentes do IGP-10), impulsionado pelas matérias-primas brutas, o que sinaliza pressões inflacionárias no varejo e reforça a perspectiva de juros altos por mais tempo" no País, diz Luise.
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