O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou nesta quarta-feira, 13, que decidiu postergar a análise sobre os "parâmetros de aversão ao risco" utilizados nos modelos computacionais do setor elétrico para o ciclo 2026/2027. Esse parâmetro pode estipular uma chance maior ou menor de ocorrência de escassez hídrica.
O Comitê solicitou ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) avaliações adicionais quanto aos impactos do resultado dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026, realizados em março, sobre as avaliações dos parâmetros de aversão ao risco.
Antes da atualização em 2024, a calculadora do risco batizada de "CVaR" (Conditional Value-at-Risk, na sigla em inglês) estipulava uma chance de 30% de ocorrência de escassez hídrica, tendo como base os 15 piores cenários na simulação. Ou seja, o parâmetro no modelo era de "15/30". Como a mudança passou para "15/40". Isto é, o modelo, em 2025 e 2026, enxerga 40% de chance de um cenário de escassez hídrica. Falta a definição para 2027.
O nível de aversão ao risco se reflete diretamente na formação de preços de energia, o chamado Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o cenário de risco para o sistema, maior o preço. Na prática, isso indica maior despacho de termelétricas e, na ponta, o acionamento de bandeiras tarifárias com custos adicionais.
O CMSE também destacou que houve melhora das condições hidrológicas do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo avaliação apresentada, "o nível de armazenamento dos reservatórios encerrou o mês de abril em 71%, porcentual semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado", conforme nota publicada.
O ONS indicou nesta quarta a possibilidade de geração térmica complementar até outubro de 2026 em cenários de maior demanda e condições climáticas adversas, mas ressaltou que "não há previsão de necessidade de utilização plena desse recurso".
Também foi debatida hoje a disponibilidade de combustíveis para as usinas termelétricas, em razão do cenário geopolítico no Oriente Médio. Foram elencadas as informações recebidas de agentes do setor, transportadores e fornecedores, informando não haver riscos ao abastecimento de combustíveis no país.
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