A fintech Creditas fechou o primeiro trimestre de 2026 com um prejuízo líquido ajustado de R$ 76 milhões, piora de 10,1% em relação a igual período de 2025, de acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira, 7. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, houve melhora de 47%.
O lucro bruto avançou 24,1% no ano e 20% no trimestre, para o nível recorde de R$ 253,5 milhões. Já as receitas somaram R$ 633 milhões, uma alta de 23,1% no confronto anual e de 8,6% no trimestre, impulsionadas pela expansão de volumes e pela continuidade de estratégia de reprecificação do portfólio, de acordo com a instituição financeira.
"Mantemos uma trajetória forte de crescimento esperado para o resto do ano. Estamos bem otimistas, apesar da Selic mais alta do que gostaríamos", afirmou, ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o CEO da Creditas, Sergio Furio.
No crédito, a carteira alcançou R$ 7,6 bilhões, aumento de 22,4% frente ao mesmo período de 2025 e de 6,4% ante o quarto trimestre. A originação saltou 29,2% no comparativo anual, ao volume recorde de R$ 1,1 bilhão, com destaque para os produtos de crédito com garantia de imóvel e com garantia de veículo.
A Creditas registrou prejuízo operacional de R$ 34,9 milhões ao final de março, uma melhora em relação aos três meses finais de 2025, quando a perda era de R$ 80,9 milhões.
Segundo Furio, o resultado marca o menor nível desde o começo do processo de aceleração dos negócios, em 2024. "Essa é uma perda operacional que não tem impacto de caixa, porque já geramos caixa desde 2023", disse. "Esperamos, na segunda metade do ano, entregar lucro operacional positivo", projetou.
As despesas operacionais da fintech permaneceram praticamente estáveis em R$ 288,4 milhões, em meio a uma agenda de ganho de eficiência. A companhia afirma que tem incorporado a inteligência artificial para apoiar esse processo. De acordo com Furio, já há caso de cobranças early stage (de curto prazo) totalmente gerida por agentes de IA, com desempenho superior ao dos consultores humanos, focados em atrasos maiores. Neste cenário, a receita por colaborador se multiplicou por 14 vezes desde 2019, a R$ 1,4 milhão.
"Estamos trabalhando de uma forma diferente, muito mais ágil, entregando mais resultado com menos recursos. Isso está nos permitindo ganhar essa alavancagem operacional", destacou Furio.
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