O 'boom' das bets passou, e os clubes de futebol já encontram outra realidade quando buscam patrocínios no setor. A regulamentação, ainda em fase de aprimoramento, limitou o funcionamento das casas de apostas e isso impactou os apoios recebidos pelos times brasileiros, tema que foi debatido durante o São Paulo Innovation Week, sob o questionamento: a bolha das apostas vai estourar?
Para Marcelo Damato, diretor-presidente da Pequi Consultoria de Regulação e Negócios e ex-assessor da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, a onda intensa de patrocínios aumenta os custos dos clubes, de forma que, ao fim das parcerias, essa elevação de despesas culmine em dívidas.
"Houve booms de patrocínio. Quando esse boom cai, as dívidas explodem. Estamos vendo isso acontecer com Corinthians, Botafogo", disse Damato, pontuando que, nesses dois clubes, esse processo começou antes mesmo do fim do patrocínio.
"Quando veio a regulamentação, parte das bets decidiu que não iria entrar no mercado legal. Ainda é muita empresa autorizada. Já tem algumas empresas quebrando. Outras se fundindo. Impossível saber quanto", acrescentou.
Alvaro Garcia, CMO da Flutter Brazil, defende que haverá um momento em que as bets vão ser mais respeitadas e naturalizadas dentro do contexto do futebol. "As decisões vão ser muito mais racionais - essa proposta, esse time, esse clube. A gente vai normalizar as relações do mercado de bets em um processo normal de amadurecimento."
Hoje, uma das principais discussões a respeitos das bets é a proibição de publicidade, em pauta no Projeto de Lei 3563/2024. O objetivo é combater o vício e o endividamento familiar, restringindo anúncios em mídia física, digital e patrocínios. Do lado das casas de apostas, a defesa é de que a conscientização é melhor do que a proibição.
"A gente consegue criar esse denominador comum com essa publicidade voltada ao consumidor. Tem de entender que estamos explicando os ricos, explicando a ludopatia, buscando os dados de banco para identificar dívidas. É melhor termos uma atuação conjunta para termos um ecossistema mais saudável", opinou Bernardo Freire Cavalcanti, sócio da Betlaw.
Outra previsão dos especialistas é de que se concretize, em algum momento, o tão comentado de "êxodo das bets", já que a regulamentação faz com que o Brasil deixe de ser propício para a proliferação de empresas do segmento. "A médio e longo prazo, as bets consolidadas devem ficar, mas a cauda longa deve sair. A gente trabalha para que o mercado seja enxergado como mercado de entretenimento", afirmou Alvaro Garcia.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
0 Comentário(s)