A guerra dos Estados Unidos e Israel no Irã não afetou a produção da indústria brasileira no mês de março, segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o conflito no Oriente Médio impacte o setor industrial via elevação no nível de preços, ainda não foram identificados vestígios de influência da guerra na produção, seja via dados coletados ou através dos questionários respondidos pelos informantes, disse Macedo.
"A guerra do Irã impacta via níveis preços. Mas, num primeiro momento, no resultado da produção não consigo enxergar impacto. Sabemos que tem reflexo nas exportações, aumento de custo de insumos e fretes, mas, no momento, não vemos impacto na produção industrial", informou Macedo.
Na passagem de fevereiro para março, a produção industrial cresceu 0,1%, a terceira taxa positiva consecutiva, acumulando uma expansão de 3,1% no período. Porém, houve perda de fôlego ante os meses anteriores, e menor disseminação de avanços entre as atividades investigadas.
"Claro que é importante a manutenção no campo positivo, mas tem sinal de alerta importante, considerando que a própria intensidade teve redução nos últimos meses", disse Macedo.
Segundo ele, a perda de intensidade na indústria decorre das características conjunturais dos últimos meses, como a manutenção da taxa de juros em patamares elevados. Por outro lado, o mercado de trabalho ainda robusto, com características positivas importantes, tais quais aumento na massa salarial e ocupação elevada, ainda favorecem a demanda doméstica.
"A perda de intensidade (na produção) ocorre pelas características conjunturais dos últimos meses", afirmou. "O crédito mais caro está atingindo empresas e famílias. A inadimplência está reduzindo a capacidade de consumo dessas famílias. A perda de intensidade se dá mais por fatores domésticos."
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