O Ibovespa abriu estável na mínima em 184758,66 pontos e logo passou a subir, alcançando a marca dos 187 mil pontos no período da manhã desta quinta-feira, 30. O movimento é atribuído em parte a ajuste de final de mês e ausência de notícias sobre o conflito no Oriente Médio.
Já as bolsas de Nova York perderam força há instantes, mas o Dow Jones seguida com valorização de 0,90%. Segundo William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue, o mês de março foi um "caos" para os mercados dos EUA. "Abril começou com os mercados analisando o conflito. O entendimento é que talvez não seja diferente de outros conflitos. As bolsas de Nova York saltaram neste mês", diz. "Mas os demais ativos não se recuperaram, pois o Estreito de Ormuz segue fechado e o petróleo tem avançado", completa Castro Alves.
Aqui, o movimento reflete ainda a recuperação das ações do setor de metais, especialmente Vale e de bancos. Assim, por ora, o Índice Bovespa reduz a queda do mês para 0,11%, por ora.
"Vale foi o principal driver, ao reportar um resultado menor do que o esperado por custo maior, até porque o petróleo está mais caro, o que também encarece o transporte marítimo dos produtos da empresa. E hoje as ações sobem", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. Paralelamente, os papéis da Petrobras, que divulgará dados de produção após o fechamento da B3, reduziam o ritmo de queda, em meio ao petróleo.
A agenda é carregada, com taxa de desemprego e dado fiscal no Brasil, além do Produto Interno Bruto (PIB) e PCE dos Estados Unidos, fora decisões de política monetária na Europa, mas sem influenciar tanto o mercado. Também nesta última sessão de abril, o mercado repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e a derrota do governo com a rejeição pelo Senado do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Lá fora, as bolsas de Nova York sobem em sua maioria, após balanços do setor de tecnologia, enquanto as bolsas europeias operam sem direção única, ainda sob influência da temporada de resultados corporativos.
Entre os destaques, o petróleo apresenta volatilidade, em meio a incertezas associadas ao conflito entre EUA e Irã. Há pouco, virou para baixo e o Brent era negociado na faixa dos US$ 110 por barril, depois de ter se aproximado de US$ 115 mais cedo. Apesar da ausência de novidades firmes sobre o conflito no Oriente Médio, o noticiário geopolítico segue no radar.
Há relatos de que o Comando Central dos Estados Unidos preparou um plano de ataques contra o Irã com o objetivo de pressionar o país a negociar um acordo nuclear, que deve ser apresentado hoje ao presidente norte-americano, Donald Trump.
No Brasil, ontem, o Copom cortou a Selic novamente em 0,25 ponto porcentual, para 14,50%. Especialistas ouvidos pela Broadcast avaliaram o comunicado do Banco Central como mais conservador. Isso, segundo analistas, pode tirar do radar a possibilidade de aceleração no ritmo de quedas do juro básico à frente.
Ao reduzir a Selic na véspera, o Itaú Unibanco avalia que autoridade monetária segue ressaltando que esse será um processo de calibração de política monetária. "Isto é, um ciclo que ainda terminará em terreno contracionista, dado o ponto de partida de expectativas desancoradas e hiato do produto positivo", diz o banco em nota.
No mesmo relatório, o Itaú diz que revisou novamente a projeção de Selic terminal 2026, para 13,25% em 2026 (ante 13%). "Mais uma vez, a incerteza ainda elevada e as leituras de inflação pressionadas nos próximos meses devem impedir o Banco Central de acelerar o ritmo de corte. Esperamos novo ajuste de mesma magnitude - queda de 0,25 ponto porcentual em junho", diz o relatório.
Ontem, Ibovespa fechou em baixa de 2,05%, aos 184.750,42 pontos.
Às 11h52 desta quinta, o Índice Bovespa tinha alta de 1,36%, na máxima aos 187.262,41 pontos. Vale subia 2,08% e Petrobrás zerava a queda. Em meio ao recuo dos juros futuros, algumas ações cíclicas subiam, caso de Assai, com 1,83%.
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