0

Diário de Notícias

DN.

Kora Saúde fecha acordo com credores em plano de recuperação extrajudicial

Uma das maiores redes hospitalares independentes do Brasil, a Kora Saúde chegou a um acordo com seus credores, em seu plano de recuperação extrajudicial. O vencimento da dívida de R$ 1,3 bilhão foi ajustado à capacidade de geração de caixa da companhia, com o objetivo de preservar a operação e estabilizar os negócios.

O plano prevê a separação do problema financeiro da operação em si, com a tentativa de evitar impacto na prestação de serviços de saúde em seus 17 hospitais, localizados no Espírito Santo, no Ceará, no Tocantins, em Mato Grosso, no Distrito Federal e em Goiás.

A estratégia é permitir que a empresa, que faturou R$ 2,4 bilhões no ano passado, mantenha o funcionamento regular de sua rede, enquanto reorganiza suas obrigações com credores.

Assim, a postergação de pagamentos valerá apenas para credores financeiros e não operacionais. Continuam recebendo em dia médicos, fornecedores, funcionários e demais parceiros operacionais.

A companhia também informou que segue em negociação com outros credores não incluídos inicialmente no acordo, para uma reestruturação mais ampla de seu passivo. Com isso, a Kora pretende reduzir a pressão de curto prazo sobre o caixa e tornar o endividamento mais sustentável ao longo do tempo, para estabilizar sua estrutura financeira e reduzir o nível de alavancagem.

Em paralelo, medidas internas vêm sendo adotadas para reforçar a disciplina financeira, incluindo a contenção de despesas administrativas e ajustes na governança, com redução de custos e preservação de caixa diante do atual cenário.

O objetivo final, segundo a Kora Saúde, é sair do processo com menos dívida, menor alavancagem e um fluxo de pagamentos compatível com o que a empresa realmente consegue gerar de caixa.

Há previsão de mudanças também no campo da governança e gestão, com movimentos para diminuir a estrutura e enxugar gastos administrativos. Por conta disso, um membro do conselho de administração foi destituído, e não houve reposição imediata para evitar novos custos, além da redução do número mínimo de conselheiros.

Como estão os resultados

Na mais recente divulgação de resultados, em 13 de abril, a rede já havia mostrado a pressão financeira sobre seus números. No último trimestre do ano passado, a Kora registrou prejuízo líquido de R$ 167,6 milhões. No acumulado de 2025, o prejuízo foi de R$ 421,3 milhões. As despesas financeiras haviam crescido 46,7% no ano, totalizando R$ 646 milhões.

Por outro lado, a operação da companhia continuou crescendo. A receita líquida somou R$ 597,9 milhões no quarto trimestre, com alta de 7,4% na comparação anual. No acumulado de 2025, a receita atingiu R$ 2,38 bilhões, crescimento de 5,1%.

A rede também tem gerado caixa. O Ebitda (lucro antes de impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 118,6 milhões no trimestre, com queda de 26,1% na comparação anual. No ano, o indicador somou R$ 538,1 milhões, com leve alta de 4%.

Na divulgação de resultados, a companhia afirmou ter dívida bruta total de R$ 2,77 bilhões, com cronograma relevante de amortizações a partir de 2026. O caixa somava R$ 262,2 milhões ao fim de dezembro, abaixo da dívida de curto prazo.

A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou 2025 em 4,67 vezes. Apesar disso, a companhia informou que permaneceu adimplente com as cláusulas financeiras.

Quem é a Kora

A Kora é dona de 17 hospitais com 2.103 leitos, dos quais 1.780 operacionais, com alta de 6,6% em relação ao ano anterior.

Além dos hospitais, a companhia também opera em serviços de diagnóstico e oncologia. No quarto trimestre, foram registrados mais de 258 mil atendimentos em pronto-socorro e cerca de 119,6 mil pacientes-dia.

O principal acionista da Kora é o fundo Fuji Brasil Partners I C - FIP, seguido pelo Viso Advantage e pelos fundadores da companhia.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.