O Banco Daycoval se manifestou sobre a investigação da Polícia Federal (PF) que apura supostas irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), na Grande São Paulo.
"O Banco Daycoval esclarece que não participou da decisão de investimento ou da aquisição das Letras Financeiras mencionadas na investigação, cuja negociação ocorreu no mercado secundário. O banco reforça ainda que atuou exclusivamente como emissor dos títulos, dentro das condições regulares de mercado e que todas as suas operações seguem rigorosamente os mais elevados padrões de compliance, governança e boas práticas do sistema financeiro, em conformidade com a regulamentação vigente", afirmou a instituição.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 13, a Operação Off-Balance para apurar supostas irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar. A apuração envolve aplicações financeiras consideradas de alto risco realizadas entre agosto de 2023 e março de 2024, em letras financeiras do Banco Master.
De acordo com a PF, cerca de R$ 112 milhões do patrimônio do regime previdenciário de Cajamar foram direcionados para quatro investimentos considerados suspeitos, sendo R$ 87 milhões vinculados ao Banco Master e R$ 20 milhões ao Banco Daycoval.
A reportagem pediu manifestação do regime previdenciário de Cajamar. O espaço está aberto.
A principal suspeita é de gestão temerária dos recursos públicos previdenciários, com falhas graves de governança, ausência de análise técnica adequada, deficiência na avaliação de riscos e possível direcionamento das aplicações financeiras, especialmente em favor do Banco Master.
Os investimentos ocorreram durante a gestão do então prefeito Danilo Joan (PP), apontado como aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da última fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e sua teia de influência.
Policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Cajamar, Boituva e na capital paulista, além de medidas cautelares de afastamento de função pública e de indisponibilidade de bens, expedidas pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
Os principais alvos da Operação Off-Balance são integrantes da cúpula do fundo de previdência de Cajamar.
Entre os investigados estão Luiz Henrique Miranda Teixeira, que ocupou o cargo de diretor-executivo entre julho de 2023 e dezembro de 2025; Marcelo Ribas de Oliveira, presidente do Comitê de Investimentos e diretor de Benefícios; Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro, responsável pela gestão dos recursos do RPPS e integrante do Comitê de Investimentos; e Rafael Petroziello, membro do comitê que participou das deliberações e assinou autorizações de aplicações financeiras ligadas aos aportes sob investigação. A reportagem busca contato com as defesas.
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