O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), intensificou as articulações para viabilizar sua candidatura ao Senado por São Paulo.
André passou a se movimentar após ser preterido para a vaga de vice na chapa à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador de São Paulo tem sinalizado a auxiliares que pretende manter a dobradinha com Felício Ramuth, que trocou o PSD pelo MDB após rompimento com Gilberto Kassab.
Tarcísio afirmou a aliados que André tem seu apoio na corrida pela segunda vaga na chapa ao Senado, mas deixou claro que a palavra final sobre a escolha cabe a Eduardo Bolsonaro.
O governador não manifestou a preferência publicamente, mas disse na terça-feira, 7, que pretende conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com Eduardo Bolsonaro (PL) sobre a segunda vaga.
"A gente está conversando internamente, levando argumentos para aquilo que a gente considera ser o melhor desenho", disse Tarcísio a jornalistas. "Era uma vaga que naturalmente seria do Eduardo, caso ele estivesse no Brasil. Mas, não estando, a gente vai procurar o melhor nome que possa representar esse grupo", concluiu o governador.
Aliado de primeira hora de Tarcísio, André está em seu quarto mandato consecutivo na Alesp e foi alçado à presidência do Legislativo paulista por indicação de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, de quem é próximo.
Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio para o posto, André conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da Sabesp - o mais impopular de todos -, a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares.
Justamente por ter garantido governabilidade a Tarcísio na Alesp é que parlamentares do PL, sobretudo da chamada "ala raiz" do partido, têm defendido a indicação do deputado ao Senado. Para esse grupo, uma candidatura à reeleição representaria um retrocesso na trajetória de André do Prado, sobretudo porque ele não poderia mais disputar a presidência da Assembleia e voltaria à condição de um deputado comum da base do governo em um novo mandato.
O deputado Alex Madureira, líder do PL na Assembleia, disse que a indicação de André ao Senado tem o apoio de toda a bancada do partido, inclusive de bolsonaristas.
Decisão passa por Eduardo Bolsonaro
Para viabilizar seu nome, André precisa mais do que o apoio de Tarcísio e Valdemar: terá de convencer o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, considerado o "dono" da vaga.
No mês passado, André viajou aos Estados Unidos para uma conversa com Eduardo, mas saiu sem uma definição - não houve sinal verde, nem veto, segundo aliados. Ele agora planeja uma nova viagem para retomar a negociação com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Temos a intenção de ir falar com Eduardo, mas ele não decidiu quem vai ser candidato ao Senado", disse o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao Estadão, após ser questionado sobre a viagem com André do Prado para encontrar Eduardo. "Eu apoio quem o Eduardo indicar", acrescentou o dirigente.
Antes de se autoexilar nos Estados Unidos, Eduardo seria candidato a senador na dobradinha com o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP). Por isso, ele tem grande influência na escolha do seu substituto. Aliados dele afirmam que a preferência é por alguém mais umbilicalmente ligado à família Bolsonaro.
Nos últimos meses a disputa havia se afunilado entre o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). Em um encontro que era visto como decisivo, Mello Araújo visitaria Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha em 18 de abril, mas a visita foi suspensa depois que o ex-presidente foi transferido para a prisão domiciliar.
O grupo diverge sobre o perfil do outro candidato. Uma ala defende outro nome ideológico, como Frias e Mello Araújo, enquanto Tarcísio e pessoas próximas defendem uma opção moderada, caso de André do Prado. A avaliação do governador é que uma chapa com dois nomes ideológicos poderia afastar eleitores de centro, que migrariam para opções do campo progressista.
A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) já confirmou que estará na disputa e, para a segunda vaga, são cotados a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), e o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB). Os três deixaram o governo Lula antes do prazo exigido para disputar a eleição.
Pesquisa Atlas/Estadão divulgada no último dia 31 mostra que Tebet, Derrite e Marina estão tecnicamente empatados na corrida pelo Senado quando se consolidam os dois votos do eleitor para o cargo. Tebet teria hoje 22,6% das intenções em São Paulo, contra 22% de Derrite e 19,6% de Marina. Mello Araújo vem em seguida com 14,8%, enquanto o deputado federal Ricardo Salles (Novo) tem 11,1%.
A pesquisa testou um segundo cenário, com Mário Frias no lugar de Mello Araújo e Haddad no lugar de Tebet - o ex-ministro da Fazenda, porém, já está confirmado como candidato a governador. Neste caso, Derrite vai a 22,1%, Haddad registra 21,8% e Marina, 19,7%. Salles aparece no segundo pelotão com 12,8%, empatado com Frias, que tem 12,3%.
O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 27 de março, ouvindo 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório, A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-01079/2026.
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