O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) informou nesta quinta-feira, 7, que fez uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF), junto do senador Eduardo Girão (Novo-CE), para que o ministro Kassio Nunes Marques deixe a relatoria da ação para a abertura de uma CPI para investigar o caso do Banco Master. Vieira argumenta que o magistrado tem proximidade com senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo nesta quinta-feira, 7, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal que apura crimes envolvendo as fraudes no banco.
"Considerando a relação íntima e notória entre o ministro Kassio e o senador Ciro Nogueira, que hoje {quinta-feira] passou a ser oficialmente alvo das investigações referentes ao caso Master, estou apresentando, juntamente com o senador Girão, pedido de suspeição, para que o mandado de segurança sobre a instalação da CPI do Master seja distribuído para outro ministro do STF", escreveu Vieira em suas redes sociais.
Ciro foi um dos principais articuladores e apoiadores da indicação de Kassio Nunes Marques ao STF em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na época, o senador elogiou publicamente o magistrado e atuou nos bastidores para viabilizar apoio no Senado. Além disso, os dois são do Piauí e têm relação antiga no meio político e jurídico local.
Ciro Nogueira foi um dos alvos da ação de busca e apreensão da Polícia Federal, dentro da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do banco Master. Segundo a investigação, o senador "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça do STF. Os investigadores apontam que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro. Segundo a apuração, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".
Os investigadores também dizem que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.
Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.
"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", esclarece a PF.
O senador nega as irregularidades. Em nota, a defesa de Ciro Nogueira "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar."
"Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas", escreve a defesa em nota.
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