A Universidade de São Paulo (USP) apresentou nesta quinta-feira, 16, uma proposta ao Sindicato dos Trabalhadores da instituição (Sintusp) para encerrar a greve iniciada na terça, 14. A informação foi confirmada pela USP.
Os servidores protestam contra um bônus de até R$ 4,5 mil previsto apenas para professores. Chamada de Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas, a medida foi aprovada no fim de março pelo reitor Aluísio Segurado. Ele assumiu o cargo em janeiro.
Para os funcionários, a gratificação exclusiva aos professores fere o princípio de isonomia - igualdade de direitos e de tratamentos. Eles propõem que o mesmo valor total destinado aos docentes seja dividido entre funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1,6 mil.
A USP decidiu acatar o pleito dos trabalhadores para encerrar a greve. "A reitoria propôs uma gratificação a todos os funcionários, a exemplo do que foi proposto para o corpo docente, a ser paga a partir de 2027, pelo período de dois anos", disse em nota.
O Sintusp terá assembleia geral com os trabalhadores na próxima quarta-feira, 22, após o feriado de Tiradentes, para votar se os servidores aceitam a proposta da USP e encerram a greve.
O bônus aos professores prevê um valor extra mensal durante dois anos para quem propuser novos projetos. Só docentes que trabalham em tempo integral na USP - mais de 80% do total - podem pleitear o benefício. O objetivo é "reter talentos".
A medida custará à USP cerca de R$ 238 milhões por ano, caso os mais de 5 mil docentes inscrevam projetos.
A proposta da USP é que o valor total do benefício destinado aos professores seja igual ao oferecido aos outros servidores. Por exemplo, caso todos os docentes se inscrevam no programa, totalizando um investimento de R$ 238 milhões, outros R$ 238 milhões seriam rateados entre os demais funcionários.
O valor total, no entanto, dependerá da adesão dos professores. Assim, se a procura for pequena e o programa de bônus aos docentes necessitar de apenas R$ 50 milhões, por exemplo, os demais servidores só receberiam essa mesma quantia.
Diferentemente dos professores, os outros servidores não vão precisar realizar projetos para ganhar o benefício.
"O professor aqui não trabalha sozinho. Os funcionários ficam nos laboratórios, nas aulas. Eles precisam dos trabalhadores para desenvolver suas pesquisas", afirma Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.
A USP tem mais de 5,3 mil professores e aproximadamente 12,6 mil funcionários técnico administrativos, segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade.
Outras demandas
O sindicato reivindicava a recomposição integral das perdas salariais pela inflação desde 2012, de 14,5%. O reajuste é discutido pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, que integra também a Unicamp e a Unesp - não é uma decisão apenas da USP.
Segundo o Sintusp, a universidade se comprometeu a estudar o abono dos dias não trabalhados durante o recesso de fim de ano e também um transporte gratuito aos terceirizados saindo do metrô até a Cidade Universitária. A instituição não confirmou essa informação.
Greve dos estudantes
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP decidiu entrar em greve na quarta-feira, 15, aderindo à paralisação dos servidores.
Os universitários incluíram pautas estudantis nas negociações: melhorias nos restaurantes, vestibular direcionado a pessoas indígenas e cotas para pessoas trans, além de demandas específicas de cada faculdade.
A reitoria da USP informou que está previsto um investimento de cerca de R$ 461 milhões no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos.
Também afirmou que a qualidade dos restaurantes universitários é analisada por nutricionistas e administrativamente. A universidade disse que houve alertas e advertências às empresas responsáveis.
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