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Diário de Notícias

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Dólar dispara e supera R$ 5,00 com notícia ligando Flávio a Vorcaro

O dólar disparou à tarde e superou a marca R$ 5,00 diante da perspectiva de um redesenho da corrida presidencial após reportagem do site Intercept Brasil revelar uma relação de proximidade entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Houve também desconforto com o receio de uma escalada populista do governo Lula na esteira de anúncio de nova medida para conter os preços dos combustíveis.

Com máxima de R$ 5,0130 na última hora de negócios, a moeda americana encerrou em alta de 2,31%, a R$ 5,0086 - acima de R$ 4,90 após três pregões e no maior valor de fechamento desde 10 de abril. Após a arrancada desta quarta-feira, o dólar passou a acumular ganhos 1,13% em maio. As perdas no ano, que até a terça-feira superavam 10%, agora são de 8,75%.

Em troca de mensagens com o banqueiro por WhatsApp, Flávio afirmou: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!."

Segundo a reportagem, haveria uma negociação em curso entre Flávio e Vorcaro, que teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões para financiar a produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse.

Para o superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, a revelação de "relações muito próximas" entre Vorcaro e Flávio lança dúvidas sobre a candidatura do senador à Presidência, o que aumenta a incerteza em torno da corrida presidencial. Além disso, o governo adotou nova medida para tentar conter os preços dos combustíveis, o que traz preocupações do ponto de vista fiscal, observa.

"O mercado aproveitou esses fato para promover uma realização de lucros mais forte no câmbio. O dólar reagiu com força, superando R$ 5,00, em meio a stop de posições", afirma Zylbergeld, ressaltando que a moeda norte-americana apresentava, até a terça-feira, queda de mais de 10% em relação ao real.

O dólar já operava em leve alta e oscilava acima da linha de R$ 4,90 antes da notícia sobre o envolvimento de Flávio com Vorcaro, apesar da queda da moeda americana em relação a pares do real, como o peso mexicano e o chileno. Segundo operadores, o recuo dos preços do petróleo, embora tímido, tirava parte do fôlego do real e abria espaço para rotação entre divisas emergentes.

Leitura acima das expectativas do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA em abril, após um resultado um pouco mais pressionado na terça da inflação ao consumidor, impulsionou as taxas dos Treasuries. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia cerca de 0,20% no fim do dia, na casa dos 98,480 pontos, após máxima de 98,598 pontos.

Zylbergeld, do Banco Rendimento, ressalta que a formação da taxa de câmbio permanecia totalmente atrelada aos desdobramentos no ambiente externo, enquanto a bolsa e os juros futuros já pareciam refletir certo desconforto com as questões domésticas. A percepção é de uma ofensiva populista do governo Lula para recuperação da popularidade, com ações como a edição, na terça-feira à noite, da Medida Provisória (MP) das blusinhas, que elimina o imposto de importação sobre compras de até US$ 50, e o anúncio, no período da tarde, de subvenção para reduzir os preços dos combustíveis.

"O real vinha se destacando com base na tese de uma melhora dos termos de troca, por conta da alta dos preços do petróleo, e de um carry muito elevado. Isso não mudou. Mas é possível que as questões domésticas passem a ser, daqui para frente, o principal gatilho para o movimento do câmbio, sobrepondo-se ao ambiente externo", afirma Zylbergeld.

Divulgada pela manhã, pesquisa Genial/Quaest mostrou melhora da aprovação do governo e o presidente Lula numericamente à frente de Flávio na corrida presidencial. Embora analistas atribuíssem o rali do real ao quadro externo, era corrente a avaliação de que o crescimento do principal candidato da oposição nas pesquisas ajudava a comprimir os prêmios de risco, por sinalizar a perspectiva de mudança da política econômica a partir de 2027.

"Há alguns meses, o mercado vê o Flávio crescer nas pesquisas. Primeiro, ele aparece atrás de Lula. Depois, sai uma notícia relacionando Flávio ao escândalo do Master. Tivemos uma reação negativa dos ativos, até de forma exagerada", afirma o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, ressaltando que era de se esperar que, em algum momento, houvesse uma melhora de Lula nas pesquisas eleitorais. "Esse tipo de movimentação do mercado vai ser bem mais frequente daqui para frente. A volatilidade no câmbio é maior em ano eleitoral."

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