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SAFs precisam amadurecer no Brasil, avaliam profissionais do mercado de futebol

As SAFs chegaram para o bem do futebol brasileiro, mas precisam ser analisadas com mais calma, avaliam profissionais do mercado que participaram da palestra "Quem são os grandes investidores do Futebol?", realizada nesta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

Rodrigo Tostes, conhecido pelo seu trabalho à frente na reestruturação do Flamengo, abriu a conversa destacando a importância das SAFs, mas alertou que essa não é a única solução no processo de "salvação" dos clubes.

"Temos uma regra no Flamengo de falarmos pouco e fazermos muito. O modelo da SAF é bastante importante para o futebol, mas você precisa aprimorar a governança e os controles para que ela não seja apenas uma entrada dos investidores", afirma o ex-vice-presidente de Patrimônio do clube.

Para Tostes, um ajuste de objetivos precisa ser alinhado para que tanto as agremiações como os investidores possam alcançar as metas previstas no início do processo.

"O investidor e o clube precisam saber o que se quer. O 'negócio futebol' tem basicamente dois alicerces de receita. Grande parte está vinculada aos fãs. E você tem um potencial vinculado a isso. E a outra grande linha de receita está na venda de atletas. Então, é preciso ter um entendimento disso", diz. "Não se tem um estudo e um trabalho profundo."

César Grafietti, especialista na área de finanças do futebol, também esteve presente no debate e alertou que tudo deve ser analisado com cuidado quando se trata de investimentos nos clubes.

"Percebemos que falta maturidade ainda no ambiente para que se consiga entender os dois lados, ou os três, se for levada em conta também a parte do torcedor, que fica envolvido nisso", diz.

Grafietti destacou que a lógica do futebol deve ser levada em conta para que as contas fechem e citou os clubes de divisões menores. "Vou colocar dinheiro para subir. Mas o dinheiro não é infinito. Isso vira problema porque acaba em atraso de salários e outras coisas mais. Então, o que eu pergunto: Qual o seu modelo de negócio? Será que vale a pena?"

Por fim, ele elencou três pilares para que o investimento no futebol tenha mais chances de êxito. "O primeiro é infraestrutura. Pensando como investidor, temos de ter uma boa escolha do ativo. (O segundo é) dinheiro (você precisa ter capital), pois o futebol não tolera dívida; e tempo para construir. Assim você aumenta a chance de sucesso."

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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