O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional antiterrorismo que estabelece como principal prioridade do governo o combate aos cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental, anunciou a Casa Branca nesta quarta-feira, 6.
O documento foi divulgado meses depois de o governo publicar uma atualização da estratégia de segurança nacional, que definiu o continente americano como foco central da política externa e de segurança dos EUA.
"Não permitiremos que cartéis, jihadistas ou governos que os apoiam conspirem contra nossos cidadãos impunemente. Terroristas de qualquer tipo não terão permissão para encontrar refúgio seguro aqui em casa ou nos atacar do exterior", escreveu Trump no documento de 16 páginas.
Trump assinou o texto às vésperas da visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à Casa Branca. O encontro dos dois líderes deve ocorrer nesta quinta-feira, 7, com discussões sobre economia e segurança pública - Trump deve abordar o tema do combate aos cartéis de drogas no Ocidente e o petista poderá pedir que o republicano recue da ideia de equiparar as facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.
Nos últimos meses, o governo Trump intensificou sua atuação na região, incluindo a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, dezenas de ataques militares dos EUA contra embarcações suspeitas de ligação com cartéis e uma nova pressão sobre o governo comunista de Cuba.
Segundo Sebastian Gorka, principal assessor de contraterrorismo da Casa Branca e responsável pela formulação da estratégia, a mudança de foco reflete o impacto do tráfico de drogas nos EUA. Ele afirmou que o número de americanos mortos por substâncias ilícitas distribuídas por cartéis supera o total de militares americanos mortos em guerras desde a 2ª Guerra Mundial.
A estratégia prevê ampliar operações de interdição marítima, rastreamento financeiro de organizações criminosas e cooperação internacional para combater redes ligadas ao narcotráfico e ao terrorismo.
"Seja estrangulando seus fundos ilícitos, seja rastreando suas embarcações de tráfico, não permitiremos que eles matem americanos em larga escala", disse Gorka em uma ligação telefônica com jornalistas para anunciar a estratégia.
Este é o exemplo mais recente dos esforços do governo para demonstrar que continua comprometido em direcionar a política externa dos EUA para o Hemisfério Ocidental, mesmo diante de crises em diferentes partes do mundo.
A campanha do governo republicano de destruir supostas embarcações ligadas ao tráfico de drogas em águas latino-americanas persiste desde o início de setembro de 2025 e já matou ao menos 191 pessoas.
Ao mesmo tempo, Trump tem pressionado líderes da região a trabalhar mais estreitamente com os EUA no combate aos cartéis e a realizar ações militares contra traficantes e gangues transnacionais que, segundo ele, representam uma "ameaça inaceitável" à segurança do hemisfério.
Segundo Gorka e o relatório, outras prioridades da estratégia de contraterrorismo do governo incluem atingir e destruir grupos militares islâmicos com capacidade de executar operações contra os Estados Unidos; identificar e neutralizar grupos políticos seculares violentos com ideologia antiamericana, radicalmente pró-transgênero ou anarquista; e ampliar os esforços para impedir que atores não estatais obtenham armas de destruição em massa.
Gorka afirmou que integrantes do governo se reunirão com aliados ainda nesta semana para discutir formas de fortalecer suas estratégias de contraterrorismo. "Como o presidente deixou muito claro, mediremos a seriedade de vocês como parceiros e aliados pelo quanto trazem para a mesa", disse. "Por isso, esperamos mais - de nossos parceiros no Oriente Médio, assim como de outras regiões." (Com AP)
0 Comentário(s)