Uma fotografia recolhida pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, voltou a colocar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no centro do escândalo que envolve a instituição financeira. A imagem mostra Gonet com um charuto na mão diante de uma mesa com copos de uísque, ao lado de Vorcaro e de outros dois homens. O registro foi feito em Londres, em abril de 2024, quando o chefe do Ministério Público Federal já ocupava o cargo — ele tomou posse em dezembro de 2023.
Segundo o material reunido pelos investigadores, quem encaminhou a fotografia ao banqueiro foi o advogado Ciro Soares, então integrante da defesa do Banco Master. O envio ocorreu em 19 de junho de 2025 e veio acompanhado de uma mensagem curta: “PG me mandou”, numa referência às iniciais do procurador-geral. Em outra conversa, de abril de 2024, o mesmo advogado havia escrito ao empresário que “Gonet é firme” e que “amizade é tudo”. Para a PF, Soares teria atuado como intermediário em contatos entre as duas partes.
O encontro registrado na foto aconteceu durante o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado na capital britânica entre 24 e 26 de abril de 2024. O evento teve patrocínio do próprio Banco Master, o que reforçou as críticas de parlamentares e juristas ao episódio. Gonet, por sua vez, tem sustentado que se tratou de um encontro institucional, com a presença de várias autoridades, e não de um contato privado.
Em sessão do Supremo Tribunal Federal realizada em 15 de setembro, o procurador-geral afirmou que o único encontro que teve com Vorcaro ocorreu diante de diversas autoridades, em abril de 2024, e negou qualquer vínculo pessoal. Dois dias depois, em manifestação ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, reiterou não ter relação de amizade com o empresário nem interesse pessoal nos processos, classificou como “brevíssima e banal” uma ligação telefônica intermediada pelo advogado e pediu o arquivamento da apuração. A PGR afirma que Gonet segue juridicamente apto a atuar em procedimentos ligados ao Master. Vorcaro está preso desde março deste ano, e o rombo atribuído ao banco é estimado em cerca de R$ 47 bilhões.
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