Pelo segundo dia seguido após o rali que levou o Ibovespa às máximas históricas, o índice voltou ao campo negativo, mais uma vez na combinação de ajuste de posições com um movimento mais adverso no exterior.
Com as bolsas americanas em queda e menor propensão à tomada de risco em emergentes, o índice se acomodou na faixa dos 204 mil pontos (204.302,33 pontos), com baixa de 0,74%. O giro financeiro foi de R$ 40 bilhões. No mês, o Ibovespa sobe 9,64%; no ano, 26,8%. No exterior, o EEM, maior ETF ligado a emergentes, caiu 1,3%.
O assessor de investimentos da InvestSmart, Bruno Ponciano, avalia que a correção após a forte alta recente era esperada e que o mercado tende a ficar mais contido até a definição do segundo turno, após a votação do primeiro apontar para um grande favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) frente o presidente Lula (PT).
O mercado segue confiante de que uma vitória de Flávio represente maior austeridade fiscal, embora a agenda econômica do candidato ainda tenha avançado pouco. "O que está faltando para o mercado andar mais é a definição do pleito. Até o segundo turno, estranharia a bolsa subindo muito mais, porque muito das expectativas foi precificado", diz.
Apesar da queda do Ibovespa, há uma rotação importante dentro da bolsa, nota o head de execução e trading da Angatu Private, Guilherme Miranda. Segundo ele, as small caps vêm apresentando desempenho relativo melhor desde o início da semana, depois de negociarem com forte desconto por muitos meses.
"As small caps contra o Ibovespa estavam em um desconto visto anteriormente em 2011. Havia muito risco fiscal e de juros implícito no preço e, com a eleição no domingo encaminhando possivelmente uma vitória da oposição para a Presidência, elas começaram a performar melhor", afirma.
As small caps, assim como setores cíclicos, caso de varejo, consumo e imobiliário, respondem com mais afinco ao ambiente eleitoral pelo potencial efeito de uma agenda fiscal mais austera sobre a política monetária. Com gastos menores, o Banco Central teria mais facilidade de seguir cortando a Selic, tirando a pressão financeira das companhias, sobretudo as de menor capitalização.
O sócio e estrategista da Bravonte Capital e professor da FGV-RJ, Eduardo Velho, ressalta que a força recente da bolsa brasileira pelo 'trade' eleitoral é o elemento de destaque, mas não elimina totalmente a influência do ambiente externo.
Segundo ele, um novo rali dependerá de sinais que ainda estão em aberto. "Vai depender muito das próximas pesquisas eleitorais, da curva externa de juros e de medidas mais críveis de política econômica para 2027. Esses são os três fatores que vão influenciar mais a bolsa brasileira", afirma.
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