O Amazonas ganhou nesta terça-feira (8) quatro novas áreas protegidas. O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou as reservas de desenvolvimento sustentável Tupana Igapó-Açu I, no município de Borba; Tupana Igapó-Açu II, entre Beruri e Tapauá; Canaã, entre Careiro e Autazes; e Mirari, em Humaitá. Somadas, elas ampliam a proteção ambiental em cerca de 669 mil hectares — o equivalente a cerca de 6,7 mil quilômetros quadrados, mais de quatro vezes a área da cidade de São Paulo.
A sigla RDS merece uma explicação, porque muda bastante o sentido da medida. Diferentemente de uma unidade de proteção integral, onde a presença humana é restrita, a reserva de desenvolvimento sustentável reconhece as comunidades que já vivem na área e permite o uso dos recursos naturais dentro de regras de manejo. Na prática, o modelo tenta conciliar duas coisas que costumam ser apresentadas como opostas: manter a floresta em pé e garantir o sustento de populações ribeirinhas e agroextrativistas.
O anúncio veio acompanhado de outras medidas. O Serviço Florestal Brasileiro assinou contratos de concessão florestal de 40 anos para duas unidades da Floresta Nacional de Humaitá, somando 162,7 mil hectares — um mecanismo em que empresas exploram madeira e outros produtos sob regras de manejo e fiscalização. Além disso, foram destinados R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia ao projeto Naturezas Quilombolas, voltado à gestão territorial e ambiental de mais de 16 territórios ao longo de cinco anos.
Na ocasião, Lula reforçou o argumento econômico da conservação, afirmando que a floresta em pé rende mais do que a floresta derrubada ou queimada, com destaque para o potencial do turismo em áreas preservadas. A criação das reservas ocorre poucos dias depois do Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, e se soma ao esforço do governo para apresentar resultados concretos em conservação. O desafio, como costuma apontar quem acompanha o tema de perto, começa agora: a efetividade de uma unidade de conservação depende de gestão, orçamento e fiscalização no território — e esses são pontos que só o tempo permitirá avaliar.
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