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Anvisa aprova nova opção oral para prevenir crises de enxaqueca

Quem convive com enxaqueca sabe que o problema vai muito além de uma dor de cabeça forte. As crises podem durar horas ou dias, vêm acompanhadas de náusea, sensibilidade à luz e ao som, e frequentemente tiram a pessoa do trabalho e da vida social. Nesta terça-feira (8), a Anvisa aprovou uma nova opção para tentar evitar que essas crises apareçam: o medicamento Aquipta, da AbbVie, à base de atogepanto.

O registro foi formalizado pela Resolução-RE nº 3.458/2026, publicada no Diário Oficial da União. A indicação é para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios por mês, o que inclui tanto a forma episódica quanto a crônica da doença. O produto foi aprovado em comprimidos de 10 mg e 60 mg, em cartelas de 28 unidades — ou seja, um tratamento de uso contínuo, e não um analgésico para o momento da crise.

O atogepanto pertence à classe dos gepantes, medicamentos que bloqueiam a ação do CGRP, uma proteína envolvida na transmissão da dor e nos mecanismos que disparam a enxaqueca. É a mesma via já explorada por anticorpos monoclonais injetáveis lançados nos últimos anos, com a diferença prática de ser um comprimido tomado em casa. Segundo os estudos clínicos apresentados no processo de registro, o medicamento reduziu de forma significativa o número mensal de dias com enxaqueca em comparação ao placebo, tanto em pacientes com a forma episódica quanto com a crônica.

Vale reforçar que aprovação regulatória não é sinônimo de chegada imediata às farmácias: a comercialização ainda depende de etapas seguintes, incluindo a definição de preço, e a empresa não divulgou data de lançamento no Brasil. A enxaqueca atinge cerca de 15% da população mundial e é mais comum entre mulheres. Como todo tratamento preventivo, o uso exige avaliação e prescrição de um médico — a escolha entre as opções disponíveis depende do histórico de cada paciente, da frequência das crises e da resposta a tratamentos anteriores.

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