A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado. A decisão, anunciada nesta terça-feira (20) e divulgada nesta quarta-feira (21), torna o Brasil o segundo país do mundo a autorizar o uso do Emrelis, nome comercial do telisotuzumabe vedotina. A terapia representa um avanço no tratamento de determinados tipos da doença, especialmente em pacientes que não apresentaram resultados satisfatórios com tratamentos anteriores.
O medicamento utiliza uma tecnologia conhecida como anticorpo conjugado a fármaco, capaz de transportar uma substância quimioterápica diretamente para células tumorais que apresentam determinadas características moleculares. O tratamento é direcionado a pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, do tipo não escamoso, que apresentam alta expressão da proteína c-Met. Essa característica é identificada por meio de exames específicos e permite selecionar os pacientes com maior possibilidade de benefício.
Segundo os resultados apresentados em estudos clínicos, o medicamento alcançou uma taxa de resposta de 34,6% entre os pacientes avaliados, enquanto a sobrevida mediana foi de 14,6 meses. Os dados indicam uma nova possibilidade terapêutica para pessoas com doença avançada ou metastática, condição em que o câncer já se espalhou para outras regiões do organismo. Apesar dos resultados, o tratamento não representa uma cura e pode provocar efeitos adversos, como fadiga, perda de apetite e alterações nos nervos periféricos.
A aprovação ocorre em um cenário de preocupação com o diagnóstico tardio do câncer de pulmão no Brasil. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deverá registrar aproximadamente 35,3 mil novos casos anuais da doença entre 2026 e 2028. Uma parcela significativa dos pacientes recebe o diagnóstico quando o tumor já se encontra em estágio avançado, o que reduz as possibilidades de intervenção cirúrgica e torna necessária a utilização de tratamentos sistêmicos.
Com a autorização da Anvisa, a farmacêutica AbbVie iniciou os procedimentos para definição do preço máximo de comercialização do medicamento no país. A expectativa da fabricante é disponibilizar o tratamento no mercado brasileiro durante o primeiro semestre de 2027. Ainda não existe previsão para sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A chegada da nova terapia reforça a importância da medicina de precisão, abordagem que utiliza características genéticas e moleculares dos tumores para desenvolver tratamentos mais direcionados e ampliar as alternativas disponíveis aos pacientes com câncer.
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