A escalada dos combates no Iêmen colocou frente a frente a Arábia Saudita e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e elevou a tensão numa das rotas marítimas mais importantes do mundo. Os houthis afirmam ter lançado mísseis e drones contra cidades e bases sauditas próximas da fronteira. A defesa civil saudita confirmou a queda de projéteis em áreas como Jazan, com feridos e danos a imóveis, mas parte das ações anunciadas pelos rebeldes não foi comprovada de forma independente.
Do outro lado, os houthis acusam a Arábia Saudita de uma série de bombardeios aéreos em território iemenita, incluindo um ataque a uma prisão na província de Jawf. Riad não comentou oficialmente todas essas ações, e os números de mortos divulgados pelas partes não puderam ser verificados. Em terra, forças houthis avançaram sobre o litoral do Mar Vermelho e passaram a controlar áreas estratégicas junto ao Estreito de Bab el-Mandeb.
A situação humanitária se agravou. Segundo a ONU, mais de 82 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde o início de setembro, e a Organização Internacional para as Migrações registrou a chegada de mais de 2 mil iemenitas ao Djibouti em um único dia. Responsáveis por acampamentos relatam superlotação e condições precárias, e o acesso da ajuda humanitária em áreas de conflito ficou mais difícil.
O conflito preocupa os mercados porque Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e se tornou uma alternativa essencial para as exportações sauditas de petróleo, em meio à redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz, afetado pela guerra envolvendo o Irã. Os houthis anunciaram um "bloqueio" contra a infraestrutura petrolífera e o transporte saudita. Nesta quinta-feira, sinais diplomáticos ajudaram a aliviar o preço do petróleo, mas analistas alertam que o comércio marítimo na região continua exposto a novas interrupções.
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