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Diário de Notícias

DN.

Ataque a navio iraniano eleva tensão no Estreito de Ormuz

Um navio comercial iraniano foi atingido por um projétil na madrugada de domingo (13) no Estreito de Ormuz, entre as ilhas de Hengam e Qeshm, a cerca de 22 quilômetros do porto de Bandar Abbas. Havia dez tripulantes a bordo. Uma pessoa morreu — identificada pela agência estatal iraniana IRNA como Jamshid Rajabi — e outras ficaram feridas. O número exato de feridos varia conforme a fonte: o governador de Qeshm, Amir Teymouri, falou em três, enquanto a emissora estatal IRIB e agências internacionais que reproduziram a informação registraram quatro. A embarcação pegou fogo e autoridades locais ajudaram na evacuação.

Não há autoria confirmada. A Organização de Comércio Marítimo do Reino Unido, que monitora o tráfego na região, descreveu o objeto como um projétil de origem desconhecida e não identificou o tipo de armamento. O governador de Qeshm atribuiu a ação a um inimigo terrorista, sem nomear país. Os Estados Unidos não comentaram o episódio e o Comando Central americano não respondeu a pedidos de manifestação da imprensa; questionado diretamente se forças americanas haviam atingido o navio, o presidente Donald Trump disse que preferia não responder. Vale o registro: trata-se de um cenário em que a maior parte das informações disponíveis vem de uma única fonte, a mídia estatal iraniana, e não foi confirmada de forma independente.

No mesmo dia, um segundo incidente ocorreu na região: o petroleiro MT El Gaia, de bandeira panamenha, foi atingido ao largo da costa de Omã. Dos 14 tripulantes indianos, 13 foram resgatados e um seguia desaparecido. O Ministério de Relações Exteriores da Índia condenou o ataque e classificou como inaceitável a escolha de navios comerciais, tripulações e civis como alvo, pedindo desescalada imediata. São ocorrências distintas, com embarcações, bandeiras e locais diferentes, e não devem ser confundidas.

A geografia explica por que qualquer incidente ali repercute no mundo inteiro. Com 39 quilômetros no trecho mais estreito e canais de navegação de apenas 3,7 quilômetros em cada sentido, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é margeado por Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos. Em condições normais, passam por ali cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, algo em torno de um quarto de todo o petróleo transportado por mar no planeta, além de aproximadamente 19% do comércio global de gás natural liquefeito. Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, o tráfego despencou e os preços do transporte e dos seguros dispararam. Uma reunião de chanceleres da região sobre a gestão do tráfego no estreito, que o Irã havia convocado para esta segunda-feira em Omã, acabou adiada.

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