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Diário de Notícias

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Áudio de Vorcaro fala de dinheiro em filme de Lula; PF e PGR negam que esteja em delação

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em trecho de um áudio divulgado pela revista Veja, que "colocou" dinheiro na produção de um documentário sobre o presidente Lula. Na gravação, ele não indica os elementos de corroboração nem menciona valores, mas afirma ter sido maior do que os US$ 10 milhões pagos a um filme sobre Jair Bolsonaro após pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Um dos advogados de Vorcaro, Daniel Bialski, confirmou que a voz é dele na gravação, mas disse não saber em quais circunstâncias foi feita. O advogado que acompanha o banqueiro desde o início da investigação e das negociações de delação premiada, Sérgio Leonardo, porém, divulgou uma nota dizendo que não reconhecia a autenticidade do material. Vorcaro está preso desde março deste ano e teve duas propostas de delação recusadas pelos investigadores.

"E aí tem o negócio do filme. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, acho que dá até mais, só o que o do Lula foi por fora né. Do Lula foi errado. O do Flávio não foi, porque pediu patrocínio", diz o trecho do áudio divulgado pela revista.

A reportagem também afirma que o tema seria incluído em uma das propostas de delação premiada do banqueiro, que relataria pagamento de R$ 30 milhões para o filme de Lula. A revista Veja disse que o assunto ficou fora por uma recusa da Procuradoria-Geral da República (PGR). Advogados que atuaram no início do processo de colaboração afirmaram ao Estadão que esse filme de Lula nunca se tornou objeto de um anexo da delação.

Uma menção superficial ao filme foi feita na segunda proposta de delação de Vorcaro, dentro do anexo que trata do repasse de recursos ao filme Dark Horse, negociado com Flávio Bolsonaro. No final do documento, Vorcaro menciona que também patrocinou filmes em homenagem ao ex-presidente Michel Temer e ao presidente Lula, mas não deu nenhum detalhe nem relatou a existência de irregularidades.

O documentário "Lula", do diretor Oliver Stone, foi produzido entre 2022 e 2023 e lançado em maio de 2024.

A PGR afirmou, em nota, que as negociações da delação premiada foram sempre intermediadas pela equipe de advogados do banqueiro e "livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias". Investigadores do órgão afirmam que, no início do processo, avisaram à defesa do banqueiro que não iriam solicitar nem excluir nomes de pessoas durante o processo de colaboração e alertaram que os anexos deveriam apresentar elementos de corroboração para comprovar os relatos.

Após a divulgação, a Polícia Federal também se manifestou e afirmou que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito". A PF afirma ainda que a delação foi recusada por ser considerada insuficiente e sem novidades. Como mostrou o Estadão, Vorcaro justificava pagamentos a políticos sob o argumento de amizade e resistia a endurecer a delação.

De acordo com os investigadores, o celular do banqueiro, que abrange o período de julho de 2012 até a data da primeira prisão, em novembro de 2025, não traz menções ao patrocínio do filme de Lula. Em uma conversa, o advogado Walfrido Warde enviou a Vorcaro fotos de uma entrevista que tinha dado ao filme, em 29 de outubro de 2022. "Falei tudo. Em ingres. Filme do Oliver Stone", disse. Vorcaro apenas respondeu: "Topppp".

No Rio, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que "nunca houve nada de errado" com o filme que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e na relação com o banqueiro.

"Nesse filme não havia absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República. Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora. Ele recebeu propina. Bolsonaro pediu patrocínio e o Lula pediu propina", declarou, ao se referir à reportagem da revista Veja.

Campanha de Lula pediu investigação

A equipe da campanha à reeleição do presidente Lula apresentou pedido à Polícia Federal para a abertura de uma investigação sobre o caso e a realização de perícia sobre o áudio. A campanha argumentou que pode ficar configurada fraude processual ou outros delitos, caso fique comprovada alguma adulteração na gravação.

Na nota divulgada à imprensa, a Polícia Federal afirmou que recebeu o pedido e que o encaminhou à área técnica para adoção das providências cabíveis, o que deve resultar na abertura de uma apuração.

Há uma suspeita dos investigadores ouvidos pelo Estadão de que a gravação tenha sido feita nas últimas semanas, mesmo com Vorcaro na prisão, o que seria ilegal. Isso pode indicar a entrada na unidade prisional da Papudinha com algum equipamento de gravação ou o uso de algum dispositivo desse tipo durante conversa dele com seus advogados por videoconferência.

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