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Diário de Notícias

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Banco do Japão eleva juros ao maior nível em 31 anos

O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira (18) sua taxa básica de juros de 1% para 1,25% ao ano, o nível mais alto desde 1995, ou seja, em 31 anos. A decisão foi tomada por 7 votos a 2: os integrantes do conselho Toichiro Asada e Ayano Sato votaram pela manutenção da taxa. O movimento já era amplamente esperado pelo mercado.

Para justificar a alta, o banco central citou riscos crescentes de inflação e condições financeiras ainda muito favoráveis. Em agosto, o índice de preços ao consumidor, sem alimentos frescos, subiu 1,7% em 12 meses, abaixo da meta de 2%. A preocupação é que o petróleo mais caro e o iene enfraquecido empurrem os preços para cima nos próximos meses.

O iene é peça central dessa história. Em julho, a moeda japonesa chegou perto de 164 por dólar, próximo das mínimas em quase 40 anos. Um iene fraco encarece as importações de energia e alimentos, das quais o Japão depende fortemente. Juros mais altos tendem, em tese, a dar algum suporte à moeda. Foi o menor intervalo entre duas altas desde que o BoJ encerrou, em março de 2024, sua longa política de juros negativos e estímulos maciços.

A decisão tem alcance que vai além do Japão. Por décadas, os juros quase zerados no país alimentaram operações em que investidores tomavam recursos baratos em iene para aplicar em ativos mais rentáveis mundo afora. A normalização gradual dos juros japoneses, somada à alta do Federal Reserve nos Estados Unidos na mesma semana, pode mexer com o fluxo de capital global, inclusive em países emergentes como o Brasil. O mercado agora aguarda sinais do presidente do BoJ, Kazuo Ueda, sobre o ritmo das próximas altas.

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