O Banco Central Europeu (BCE) avaliou que os riscos para a inflação continuam inclinados para cima, diante da persistência do choque de energia provocado pelos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, segundo a ata da reunião de política monetária de setembro, divulgada nesta quinta-feira, 8. Todos os dirigentes concordaram com essa avaliação, embora tenham reconhecido que os riscos "não apontavam todos na mesma direção", dada a possibilidade de uma solução diplomática para os conflitos.
Segundo o documento, a inflação deve permanecer acima da meta de 2% por mais tempo do que o previsto anteriormente, enquanto o núcleo tende a superar esse nível durante todo o horizonte das projeções. Os dirigentes alertaram que a manutenção dos preços elevados de energia aumenta a probabilidade de efeitos indiretos sobre outros produtos e de segunda ordem sobre os salários.
Ao mesmo tempo, o Conselho observou que o repasse dos custos de energia para outros preços permanece contido, sem evidências significativas de efeitos secundários sobre os salários. A moderação do crescimento salarial e a estabilidade das expectativas de inflação de longo prazo, próximas de 2%, foram apontadas como fatores favoráveis.
Nesse cenário, todos os integrantes apoiaram a elevação dos juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito a 2,50%. A decisão reforçou o compromisso do BCE de assegurar a estabilização da inflação na meta de 2% no médio prazo. O BCE também considerou que a transmissão da política monetária tem ocorrido de forma suave e que a economia permanece resiliente.
Para as próximas reuniões, os dirigentes consideraram "particularmente importante" evitar orientações sobre a trajetória futura dos juros e preservar total liberdade de decisão diante do ambiente volátil. Segundo a ata, é sensato reconhecer a elevada incerteza, os riscos para a inflação e os diferentes cenários possíveis, sem indicar se a alta de setembro integra um ciclo predeterminado de aperto ou representa seu encerramento. Ao mesmo tempo, os integrantes defenderam a vigilância contínua como "vital", mantendo flexibilidade para reagir às mudanças no cenário inflacionário.
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