O Ibovespa fechou a terça-feira (15) aos 186.502,64 pontos, com alta de 0,54%, descolando-se do exterior. Enquanto Nova York e Europa operavam no vermelho, pressionadas pelo juro do título americano de dez anos, que tocou 5% — a maior taxa em quase duas décadas —, a Bolsa brasileira encontrou fôlego em um setor só. O dólar comercial subiu 0,14% e terminou o dia a R$ 5,154. O giro financeiro na B3 foi de cerca de R$ 21,8 bilhões.
O motor do pregão atende pelo nome de petróleo. O Brent avançou 2,90% e fechou a US$ 108,75, e o WTI subiu 4,38%, a US$ 105,83, depois de ataques a instalações energéticas na Arábia Saudita e da paralisação prolongada do oleoduto Leste-Oeste, que leva o petróleo saudita até o Mar Vermelho sem passar por Ormuz. No embalo, PETR3 liderou as altas do índice, com ganho de 3,63%, e PETR4 subiu 3,09%, sendo a ação mais negociada do dia. A Petrobras chegou ao maior valor de mercado de sua história. Do outro lado, a Vale caiu 1,17% e funcionou como principal contrapeso.
A agenda doméstica trouxe dados mornos: as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho, resultado bem pior que o esperado, e a inflação segue comportada, com o IPCA de agosto registrando deflação de 0,32%. Os juros futuros subiram ao longo de quase toda a curva, refletindo mais o ambiente externo do que o interno. No pano de fundo político, a sessão do STF sobre as apurações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master foi citada por analistas como fator de ruído.
Nesta quarta-feira (16), dois bancos centrais roubam a cena. O Copom anuncia sua decisão com a Selic hoje em 14% ao ano e forte expectativa de corte para 13,75% — os contratos de juros precificavam essa possibilidade em cerca de 96%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve decide à tarde, e o mercado futuro aponta probabilidade em torno de 92% de uma alta de 0,25 ponto percentual, o que seria o primeiro aumento desde 2023, em resposta à inflação pressionada pela energia. Os dois anúncios devem definir o humor dos próximos pregões.
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