O Ibovespa tocou há pouco nos 186 mil pontos pela primeira vez na história, saltando quase 3.900 pontos em relação à abertura em 182.815,55 pontos desta terça-feira, 3. Desde cedo, vem batendo sucessivas máximas inéditas, principalmente em meio a perspectivas de início de flexibilização monetária pelo Banco Central em março, como reforçou hoje a ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Além disso, a valorização das bolsas de Nova Yokr e do petróleo também reforça esse clima otimista na B3, onde nenhuma ação cai na carteira teórica, que conta com 85 papéis.
"A ata do Copom confirmando que haverá cortes dos juros é positivo. O Banco Central prevê 3,2% para a inflação no terceiro trimestre de 2027, é bem perto do centro da meta, de 3,0%. Não é um período muito distante", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, para quem ainda há algum efeito do juro restritivo para ser capturado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com juros caindo, haverá impacto positivo para a economia. "Se não fosse o mercado de trabalho apertado, o ciclo já poderia ter começado", completa Cima.
Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, também faz sentido essa valorização do principal indicador. "Há fundamento para a alta, principalmente via queda de juros e fluxo estrangeiro", afirma. Ele pontua, contudo, que o caminho para novos avanços tende a ser volátil e dependente de dados macro e percepção de risco.
Investidores se debruçam na ata do Copom, divulgada nesta manhã, em busca de sinais sobre o ritmo de queda da taxa Selic na reunião de março. Além disso, avaliam a Pesquisa Mensal Industrial (PIM) de dezembro e 2025. Na margem, mostrou recuo mais intenso do que o esperado, enquanto a alta do ano veio no piso das projeções.
Nos Estados Unidos, o foco é a paralisação parcial do governo. O presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizou que assinará um acordo de financiamento "imediatamente, assim que chegar à sua mesa.
Por lá, a divulgação do relatório Jolts de criação de vagas, prevista para hoje, foi adiada para 19 de fevereiro devido à paralisação parcial do governo norte-americano, após a publicação do relatório oficial de empregos, o payroll, prevista para sexta-feira, também ter sido postergada.
Em relação à ata do Copom da semana passada, quando a Selic foi mantida em 15% ao ano, com o colegiado indicando cortes a partir de março, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, avalia que o documento não trouxe grandes novidades. "O Copom reconheceu a melhora do cenário externo e o processo de desaceleração da inflação corrente, o que abre espaço para o início do ciclo de flexibilização monetária", diz em nota.
Ainda assim, a economista do Inter avalia que diante de um ambiente marcado por incertezas, especialmente relacionadas aos efeitos fiscais na demanda, o Comitê tende a adotar uma postura cautelosa nos cortes de juros. "Nossa expectativa é de que o ciclo comece com uma redução de 50 pontos-base, ritmo que deve ser mantido no cenário atual", afirma. O Inter estima Selic em 12,50% ao final do ano.
Para Lucca Maciera, analista de Mercado Victrix Capital, embora o Copom sinalize o início de um ciclo de redução de juros nas próximas reuniões, não há definição clara sobre intensidade, ritmo ou duração desse processo, evidenciando uma postura cautelosa e fortemente dependente da evolução dos dados econômicos.
Já a produção industrial caiu 1,2% em dezembro ante novembro. Em relação a dezembro de 2024, a produção subiu 0,4%. No acumulado em 12 meses, houve alta de 0,6%, ante aumento de 0,7% até novembro.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,79%, aos 182.793,40 pontos.
Às 11h33 desta terça, o Índice Bovespa subia 2,17%, aos 186.768,43 pontos, em máxima inédita. Já o dólar caía 0,97%, a R$ 5,2095, com juros futuros cedendo.
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