0

Diário de Notícias

DN.

Brasil avança na criação de tecnologia própria de inteligência artificial e busca reduzir dependência estrangeira

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua presença no setor de inteligência artificial com o desenvolvimento de uma tecnologia nacional voltada à aceleração de sistemas de IA. A iniciativa, divulgada nesta semana pelo Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, reúne instituições de pesquisa e empresas brasileiras para criar soluções de processamento de dados e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.

O projeto, denominado Nó Computacional e Acelerador de Inteligência Artificial em RISC-V, foi apresentado em Campinas, no interior de São Paulo, e conta com a participação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Eldorado e do CTI Renato Archer. A proposta utiliza a arquitetura RISC-V, um padrão aberto que permite desenvolver e personalizar processadores sem a necessidade de pagar royalties pelo uso da arquitetura. A tecnologia também pode reduzir a exposição a restrições comerciais e disputas internacionais envolvendo componentes eletrônicos.

A iniciativa surge em um momento de expansão da inteligência artificial no Brasil e no mundo. Com o crescimento da demanda por ferramentas capazes de analisar grandes volumes de informações, automatizar processos e executar tarefas complexas, a capacidade de desenvolver infraestrutura computacional própria tornou-se estratégica. Atualmente, grande parte dos equipamentos utilizados em aplicações avançadas de inteligência artificial depende de tecnologias desenvolvidas por empresas estrangeiras.

Além de estimular a inovação, o projeto poderá contribuir para a formação de profissionais especializados e para o fortalecimento da indústria brasileira de semicondutores. O desenvolvimento de processadores e aceleradores nacionais representa uma oportunidade para universidades, centros de pesquisa e empresas ampliarem sua participação em um mercado considerado fundamental para o futuro da economia digital.

A aposta em tecnologia própria também acompanha outras iniciativas do governo federal para ampliar os investimentos em inteligência artificial. Em setembro, foi sancionada uma lei que estabelece incentivos fiscais para a instalação de centros de processamento de dados no país. O objetivo é estimular a infraestrutura necessária para serviços de computação em nuvem e aplicações de IA. Embora o novo projeto ainda esteja em desenvolvimento, a iniciativa representa um avanço na busca por maior autonomia tecnológica e capacidade de inovação no Brasil.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.