O Brasil quer transformar sua floresta em ativo financeiro reconhecido internacionalmente — e resolveu bater na porta do maior mercado de carbono do mundo. O governo iniciou uma aproximação com a China para avaliar se o país asiático teria interesse em comprar créditos de carbono gerados em território brasileiro, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (9).
O teste dessa hipótese acontece já na semana que vem. Entre 14 e 18 de setembro, representantes brasileiros participam de encontros de alto nível em Wuhan, na China, ao lado de autoridades chinesas e da União Europeia. Os três blocos lideram uma coalizão que representa cerca de 42% das emissões globais e discutem formas de aproximar e integrar sistemas de comércio de emissões que hoje funcionam de maneira independente.
O instrumento no centro da conversa tem um nome pouco amigável: ITMOs, sigla em inglês para Resultados de Mitigação Internacionalmente Transferidos. Na prática, são unidades de redução ou remoção de emissões que um país pode transferir a outro dentro das regras do Acordo de Paris. "Queremos testar essa hipótese de os chineses terem interesse em comprar ITMOs brasileiros", afirmou Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono. A expectativa do governo é anunciar um memorando de entendimentos com a China durante a COP31, marcada para novembro em Antália, na Turquia.
Há, porém, um descompasso de calendário que vale registrar. A verificação efetiva desses créditos estava inicialmente prevista para o período entre 2031 e 2035, ainda que o governo avalie a possibilidade de antecipação. O Brasil também segue estruturando seu próprio mercado regulado de carbono, criado por legislação aprovada no fim de 2024 e ainda em fase de regulamentação. Ou seja: a conversa com a China é promissora, mas o desenho final das regras — e a confiança que elas vão inspirar nos compradores — ainda está sendo construído.
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