O Brasil chegou ao fim de outubro de 2026 com resultados expressivos no combate ao desmatamento, mas ainda enfrenta desafios relacionados aos incêndios florestais e à preservação da biodiversidade. Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a Amazônia e o Cerrado registraram as menores taxas de desmatamento de suas respectivas séries históricas. Nesta quarta-feira (28), o combate ao fogo no Pará e no Amazonas está entre os principais assuntos da agenda ambiental do governo federal.
Segundo o levantamento divulgado em outubro, a área desmatada na Amazônia caiu 41,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores. A devastação passou de 5.731 quilômetros quadrados para 3.335 quilômetros quadrados, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica, em 1988. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, com a área desmatada diminuindo de 7.235,27 para 5.516,69 quilômetros quadrados, o menor resultado desde 2001.
Apesar da redução, os números mostram que a pressão sobre a vegetação nativa continua elevada. Na Amazônia, o Pará concentrou a maior extensão desmatada, com 1.130 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 849 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 525 quilômetros quadrados. No Cerrado, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia responderam, juntos, por 74,3% da área devastada no período analisado.
Outro levantamento, divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 23 de outubro, mostrou que o desmatamento nas unidades de conservação federais da Amazônia Legal recuou 17% em 2026. A área atingida passou de 134 para 111 quilômetros quadrados, o menor nível registrado desde o início do acompanhamento, em 2008. O resultado indica avanços na proteção de áreas ambientalmente importantes para a conservação da fauna, da flora e dos recursos naturais.
Nesta quarta-feira, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, tem na agenda uma entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, com foco nas ações de combate aos incêndios florestais no Pará e no Amazonas. A discussão ocorre em um momento em que a redução da derrubada de árvores contrasta com a necessidade de enfrentar o fogo e outras formas de degradação ambiental.
A diferença entre desmatamento e incêndios é um dos pontos centrais do debate. Enquanto o primeiro indicador acompanha a retirada da vegetação nativa, o segundo envolve a ocorrência de fogo, que pode atingir tanto áreas já abertas quanto florestas preservadas. Por isso, a queda do desmatamento não significa necessariamente uma redução proporcional das queimadas ou dos danos provocados por incêndios.
O governo federal atribui parte dos resultados à intensificação do monitoramento por satélite, às operações de fiscalização e à cooperação entre União, estados e municípios. Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou mais de 76 mil ações de fiscalização em todo o país e aplicou multas relacionadas a infrações contra a flora que somam R$ 11,8 bilhões.
Além da fiscalização, o Brasil prepara investimentos em novas tecnologias para ampliar a proteção dos biomas. Um projeto de R$ 147,6 milhões, aprovado pelo Fundo Amazônia e coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê o uso de inteligência artificial e sistemas de monitoramento para identificar alterações na vegetação. A iniciativa deverá ampliar a cobertura de alertas para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, além de aprimorar o acompanhamento de áreas queimadas.
Os avanços ambientais também ocorrem em um contexto de pressão para que o Brasil concilie crescimento econômico, expansão da produção agropecuária e preservação de seus recursos naturais. Especialistas apontam que a continuidade dos resultados depende de fiscalização permanente, combate à ocupação ilegal de terras, recuperação de áreas degradadas e incentivo a atividades produtivas sustentáveis.
Mesmo com os indicadores positivos, a dimensão das áreas devastadas demonstra que o desafio ambiental brasileiro permanece significativo. A redução do desmatamento representa uma conquista importante para a proteção dos ecossistemas e o enfrentamento das mudanças climáticas, mas a manutenção dessa tendência exigirá investimentos, políticas públicas contínuas e atenção especial às regiões mais vulneráveis à ação humana e aos eventos climáticos extremos.
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