O Brasil está a poucas semanas de um marco simbólico. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a frota nacional de veículos eletrificados fechou agosto com 950.183 unidades — faltavam 49.817 para o primeiro milhão. O presidente da entidade, Ricardo Bastos, projeta que a marca seja alcançada nas próximas semanas, ainda este mês. Até o momento não houve comunicado oficial confirmando que o número já foi atingido, então trata-se de projeção, não de fato consumado.
Vale entender o que entra nessa conta, porque a definição varia. Na metodologia da ABVE, são considerados eletrificados os elétricos puros a bateria (BEV), os híbridos plug-in (PHEV) e os híbridos convencionais, a gasolina ou flex (HEV). Os micro-híbridos de 48 volts, os chamados MHEV, ficam de fora e são tabulados à parte. Em agosto, os elétricos puros representaram 47,3% dos emplacamentos de eletrificados, os plug-in 35,8% e os híbridos convencionais os 17% restantes. Consultorias que adotam critérios mais amplos chegam a números maiores, o que explica por que cifras diferentes circulam na imprensa.
O crescimento é o dado mais impressionante da série. De janeiro a agosto foram 328.477 emplacamentos, alta de 160,5% sobre o mesmo período de 2025, com participação de 20,2% do mercado no acumulado do ano. Agosto foi o melhor mês da história, com 57.386 unidades e 22% de participação — contra 9,4% um ano antes. Para se ter ideia da aceleração, esses oito meses respondem por mais de um terço de tudo que o país já vendeu em eletrificados desde 2012. A BYD domina o segmento de elétricos puros com o Dolphin Mini, o Dolphin e o Yuan Pro, seguida pela Geely com o EX2, e isso mesmo depois de a alíquota de importação chegar aos 35% cheios em julho, o que tem empurrado as marcas para a produção local, na Bahia e no interior paulista.
O gargalo continua sendo a tomada. O levantamento mais recente da ABVE, feito em parceria com a Tupi Mobilidade Elétrica e referente a maio, apontava 25.455 pontos de recarga públicos e semipúblicos em 1.832 municípios, crescimento de quase 21% em apenas três meses. O problema é que a frota corre mais rápido: a proporção atual é de 19,6 veículos por ponto, praticamente o dobro dos 10 por ponto considerados adequados pela própria associação. E dois terços da rede ainda são de recarga lenta, o que pesa especialmente em viagens longas. Chegar ao milhão, portanto, é menos uma linha de chegada do que um aviso sobre o tamanho da lição de casa.
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