O consumidor brasileiro chega ao fim de setembro com uma notícia de alívio para um item presente na rotina de muitas famílias: o café ficou mais barato no varejo. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), divulgados em 23 de setembro, apontam que o preço médio do quilo das versões tradicional e extraforte passou de R$ 62,83, em agosto de 2025, para R$ 49,50, em agosto deste ano. A redução foi de 21,22%.
O levantamento também indica recuperação das compras. Entre janeiro e agosto de 2026, o consumo alcançou 13,5 milhões de sacas, crescimento de 2,29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na avaliação apresentada pelo presidente da Abic, Pavel Cardoso, temperaturas mais baixas ajudaram a demanda, enquanto a redução das cotações de arábica e conilon abriu espaço para o repasse de custos menores.
A melhora, entretanto, não elimina as incertezas para os próximos meses. A entidade mantém atenção aos efeitos do El Niño sobre a produção e à possibilidade de oscilação nos preços da matéria-prima. O cenário recomenda cautela com a ideia de que a queda observada em agosto necessariamente continuará até o fim do ano.
A comparação com os indicadores anuais ajuda a dimensionar a mudança. No balanço de 2025 da Abic, o consumo havia recuado 2,31%, para 21,4 milhões de sacas, enquanto o faturamento da indústria cresceu 25,60%, chegando a R$ 46,24 bilhões. São recortes diferentes: a série anual da entidade considera novembro a outubro, e não deve ser confundida com o acumulado de janeiro a agosto utilizado no levantamento mais recente.
Para o orçamento doméstico, a referência por quilo facilita a comparação entre embalagens de tamanhos distintos. Um pacote aparentemente mais barato pode custar mais quando se considera a quantidade de produto. A conta também precisa levar em consideração a versão escolhida, já que o valor médio das linhas tradicional e extraforte não representa automaticamente cafés especiais, cápsulas ou todas as marcas.
Os números divulgados descrevem o comportamento do mercado e não fixam o preço cobrado em cada estabelecimento. Ao planejar a compra, o consumidor pode usar a queda média como informação de contexto e conferir o valor efetivamente praticado na prateleira. A economia possível depende da embalagem, da marca e da oferta disponível no momento da compra.
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