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Diário de Notícias

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Governo anuncia canetas emagrecedoras no SUS, mas sem data nem orçamento definidos

O Ministério da Saúde anunciou na última sexta-feira que o SUS passará a ofertar análogos de GLP-1 — os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras — a pacientes com obesidade, mediante protocolo clínico a ser definido. O princípio ativo em teste é a semaglutida, e a tirzepatida também aparece em discussão. O anúncio, no entanto, veio sem data de incorporação, sem cronograma de compra e sem orçamento atualizado, o que mantém a medida no terreno da intenção e não da política já em execução.

A base técnica da decisão é um projeto-piloto conduzido no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, cuja captação de pacientes começou em junho. Chamado Real-Bari, o estudo acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras morbidades, todos na fila da cirurgia bariátrica. É um trabalho observacional de dois anos, que mede perda de peso, qualidade de vida, resultados de exames, condições pós-operatórias e custo do tratamento. Para entrar, o paciente precisa ter diagnóstico de obesidade há pelo menos doze meses, falha documentada do tratamento convencional e condições de autoaplicar o medicamento ou contar com um cuidador.

São três as perguntas centrais que a pesquisa busca responder: se o medicamento controla a obesidade a ponto de dispensar a cirurgia bariátrica, se reduz complicações cardíacas e se diminui a taxa de recidiva de câncer de mama em mulheres afetadas. O ministério afirma que o objetivo é garantir maior segurança aos participantes e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por médicos especialistas. Os resultados preliminares ainda não foram divulgados.

O anúncio caiu em terreno político sensível. O ministro Alexandre Padilha classificou a oferta gratuita como um direito e rebateu acusações de oportunismo eleitoral dizendo que eleitoreiro é quem ignora o planejamento já em curso. Sobre a viabilidade do fornecimento, citou a existência de dezesseis registros do medicamento no Brasil como fator de sustentabilidade para o sistema público. A conta, porém, segue em aberto: a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, responsável por avaliar a entrada do medicamento na rede pública, havia estimado impacto orçamentário de R$ 8 bilhões, número que não foi atualizado. A favor do governo pesa a queda de preços no mercado privado — a Hypera lançou sua versão a R$ 333 por caneta, cerca de 67% abaixo do praticado anteriormente, e a Novamed anunciou R$ 300 milhões em ampliação fabril.

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