O exterior levemente positivo tem efeito limitado sobre o Ibovespa no pregão desta quarta-feira, assim como o viés de baixa dos juros futuros e a queda do dólar ante o real. A poucos dias do segundo turno, a disputa acirrada indicada pelas pesquisas mantém os investidores cautelosos. Em Nova York, a maioria das bolsas sobem.
Ontem, o Ibovespa fechou no maior nível desde o recorde de 209.066,90 pontos registrado na sexta-feira pós-primeiro turno. O principal indicador da B3 subiu 1,57%, aos 208.295,98 pontos, refletindo expectativa de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, além de pesquisas eleitorais.
"Hoje o dia é de cautela. A eleição está a quatro dias e o mercado vai reagir a cada nova pesquisa", disse João Debom, sócio da Supernova Investimentos.
Segundo ele, com a disputa embolada, qualquer movimento nos números mexe com os ativos. "A bolsa está colada na máxima histórica. Muito do otimismo já está no preço. Se vier surpresa negativa, a realização pode ser rápida", completa Debom.
O levantamento mais aguardado para o segundo turno, da Quaest, divulgado por volta das 10 horas, mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de votos totais, contra 44% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos porcentuais, ambos os candidatos estão em empate técnico.
"Não dá para termos convicção grande de que o Flávio vai ganhar", afirma Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.
Em comparação com a última pesquisa, divulgada em 14 de outubro, Flávio oscilou um ponto para baixo, já que antes estava com 46% das intenções de voto totais para o segundo turno, enquanto Lula se manteve com os mesmos 44% da última semana. A vantagem em favor do senador passou de 2 pontos porcentuais para 1. Com isso, a distância entre os candidatos diminuiu a quatro dias para o segundo turno, que acontece no dia 25 de outubro.
"A pesquisa assustou um pouco. A redução do Flávio é péssima, mas nada absurdo ainda", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.
As pesquisas sugerem que o momento é de cautela. Segundo Siqueira, da Eleven, o mercado pode deixar uma segunda parte de uma eventual alta para depois da eleição, como aconteceu na sexta-feira após o primeiro turno, caso o senador do PL vença. "Do contrário, corrige", diz.
Mais cedo, foi divulgada a pesquisa Meio/Ideia, que trouxe Flávio Bolsonaro com 48% e o presidente Lula com 46% das intenções de votos totais. Já na Palver, o candidato do PL manteve 50% das intenções de voto no segundo turno, enquanto o petista oscilou de 49% para 48%.
De acordo com Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, os resultados dos levantamentos, em especial da Quaest, não altera a aposta da casa de analise de favoritismo do senador do PL. "Não muda nossa visão de que o cenário-base segue sendo de vitória de Flávio, ainda que por margem pequena."
Também fica no foco o início da temporada de balanços no Brasil. A fabricante de equipamentos Weg registrou lucro líquido de R$ 1,665 bilhão no terceiro trimestre deste ano, o que corresponde a um aumento de 0,9% em relação ao reportado em igual período de 2025. Porém, as ações caem quase 5%. Após o fechamento dos negócios, saem os resultados da BradSaúde.
Entre as commodities, o minério de ferro subiu 0,07% em Dalian. Já o petróleo opera indefinido, próximo da estabilidade, com o Brent acima de US$ 108 o barril, mantendo preocupações inflacionárias e com juros no mundo.
Após alta de 0,46%, na máxima a 209.244,71 pontos, o Ibovespa caiu 0,32%, na mínima em 207.627,33 pontos, ante abertura estável em 208.295,98 pontos.
Às 11h31, cedia 0,24%, aos 207.790,01 pontos. Vale caía 1,2!%, na mínima, enquanto Petrobrás subia entre 0,17% (PN) e 0,60% (ON). Papéis de bancos cediam em sua maioria. As exceções eram Itaú (+0,27%) e Unit de Santander (+1,15%).
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