Lançada há 20 anos, produção da Matizar Filmes cedeu trechos para a mostra "Quanto mais desejo, mais invento o que vejo", que acontece no IMS Paulista
Em 2026 celebra-se o centenário de Fernando Lemos, artista multifacetado que deixou uma marca indelével na arte contemporânea brasileira. Dono de uma obra extensa, que abarca desde a fotografia experimental, a pintura, a ilustração e a poesia, ele foi testemunha e participante ativo de um dos momentos mais efervescentes da produção artística no país, além de um dos nomes mais importantes associado ao surrealismo português.
Foi justamente um dos seus trabalhos fotográficos deste período que despertou o interesse e a admiração do cineasta Guilherme Coelho, que decidiu investigar a fundo o processo criativo de Lemos no documentário FERNANDO LEMOS, ATRÁS DA IMAGEM, produzido pela Matizar Filmes em 2006. Vinte anos depois, nem o interesse, nem a reverência pelo artista plástico se dissiparam. Pelo contrário. Segundo o diretor, a visão artística de Lemos, única e inabalável, segue fundamental – razão pela qual cedeu trechos do seu filme para a exposição "Quanto mais desejo, mais invento o que vejo", que homenageia o artista plástico no IMS Paulista, em São Paulo.
"A obra artística do Fernando é instigante. A forma como ele manipula as imagens e o que ele revela através delas nos faz pensar muito sobre comunicação e representação, uma reflexão particularmente importante hoje", analisa Coelho. "Revisitar a obra do Fernando e a cabeça política dele, que foi um homem a favor das liberdades artística e social, não poderia ser mais urgente neste momento no Brasil e no mundo".
Disponível no Looke, FERNANDO LEMOS, ATRÁS DA IMAGEM documenta seis dias da vida do artista, à época com 80 anos, transitando entre seu ateliê, onde nunca parou de produzir, e sua casa na capital paulista. Mas, ao melhor estilo Fernando Lemos, o filme faz esse registro a partir do dispositivo surrealista, valendo-se da livre associação de ideias e dos fotogramas para investigar as conexões entre sua história pessoal e política e sua expressão artística.
"Logo que terminei o filme, entendi que o Fernando foi o primeiro artista que conheci, porque ele se dedicou a vida inteira a um objetivo estético, político e social. É isso que fazem os artistas: é a constância e a solidariedade", relembra o cineasta. "Vinte anos depois, sigo o Fernando e os preceitos dele – e o Fernando segue mais atual do que nunca em todo o mundo".
Além de trechos do doc, a exposição "Quanto mais desejo, mais invento o que vejo" reúne obras, arquivos e objetos que exploram os 70 anos de atividade de Lemos, contemplando fotografias, obras políticas, projetos de design e moda e poesia. "Essa é uma ótima oportunidade para as novas gerações conhecerem mais o trabalho deste grande artista e deste homem, dono de uma postura política e de uma integridade ética exemplar", afirma Coelho.
Serviço - Quanto mais desejo, mais invento o que vejo
Data: até 7/2/2027
Horário: de terça a domingo e feriados das 10h às 20h (fechado às segundas)
Local: IMS Paulista - Avenida Paulista, 2424 - São Paulo/SP
A entrada é gratuita e a exposição conta com recursos de acessibilidade
Mais informações em ims.com.br
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