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CNI: Juros, baixa demanda e alta das importações seguraram crescimento da indústria em 2025

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a perda de ritmo da atividade industrial em 2025 teve como principais responsáveis os juros altos, a demanda interna insuficiente e o aumento das importações. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3, a produção industrial cresceu apenas 0,6% no ano passado - uma forte desaceleração frente à alta de 3,1% em 2024.

O resultado só não foi pior por causa do desempenho da indústria extrativa - segmento que compreende atividades como mineração e extração de petróleo e gás natural -, cuja produção cresceu 4,9% em 2025. A alta ajudou a compensar a queda de 0,2% da indústria de transformação, segmento responsável por transformar matérias-primas em produtos, e que abrange a fabricação de alimentos, vestuário, veículos, eletrônicos, entre outros. A indústria de transformação vinha de crescimento de 3,7% em 2024.

Juros

Segundo a CNI, a desaceleração industrial se deu a partir do segundo semestre de 2024, período em que o Banco Central (BC) iniciou o ciclo de aumento da taxa Selic. Depois de crescer 2,3% no primeiro semestre daquele ano, a indústria de transformação subiu 1,8% no semestre seguinte. A continuidade do aperto nos juros, que chegou a 15% na metade do ano passado, resultou em queda de 0,4% na produção do segmento no primeiro semestre de 2025 e em recuo de 0,8% no segundo semestre do mesmo ano.

"O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, que segurou investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais. O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025", pontuou o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles.

Além dos juros, a entidade disse que a indústria teve que lidar com o aumento das importações. As compras de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários saltaram 15,6%, 7,8% e 5,6%, respectivamente, em 2025, o que teria capturado parcela relevante do mercado interno.

A CNI ainda sustentou que o cenário adverso impactou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) neste começo de 2026, que teve o pior janeiro em 10 anos. Com isso, o indicador completou 13 meses abaixo da linha de 50 pontos, caracterizando quadro persistente de falta de confiança.

"A falta de confiança faz com que os empresários deixem de investir, produzir e contratar, prejudicando o crescimento da indústria em 2026 e, consequentemente, da economia brasileira", completou a CNI.

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