O Ibovespa encerrou a primeira sessão de fevereiro acima dos 182 mil pontos, ganhando força perto do fechamento, com Nova York, após duas sessões de moderada correção ante os níveis recordes vistos desde meados de janeiro. Oscilou entre mínima de 181.347,63 e máxima de 182.889,95 pontos, tendo saído de abertura aos 181.369,00 pontos. Ao fim, marcava 182.793,40 pontos, em alta de 0,79%, com giro a R$ 28,6 bilhões, em nível ainda sólido, mas já um pouco mais acomodado em relação ao que se observou em janeiro, quando superou a linha de R$ 30 bilhões em diversas sessões. No ano, o Ibovespa progride 13,45%.
A abertura de fevereiro foi majoritariamente positiva para as blue chips, à exceção de Petrobras (ON -1,98%, PN -1,38%), que não conseguiu se descolar da queda dos contratos futuros da commodity em Londres e Nova York, em baixa na casa de 5% na sessão. A correção decorre da redução de tensões entre EUA e Irã, além de avanço nas negociações entre Rússia e Ucrânia para alcançar cessar-fogo. Estiveram ainda no radar o dólar forte e a manutenção dos níveis de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), no fim de semana.
Por outro lado, as ações de bancos e do setor metálico subiram em bloco nesta segunda-feira, 02, mostrando um pouco mais de força do meio para o fim da tarde, o que contribuiu para firmar o Ibovespa na casa dos 182 mil pontos.
Em Nova York, os principais índices de ações subiram até 1,05% (Dow Jones) na sessão. O dólar à vista teve alta de 0,22%, perto da casa de R$ 5,26 no fechamento. Na B3, Vale ON subiu 0,59% e os ganhos entre os principais bancos chegaram a 1,38% (Santander Unit) e a 1,95% (BTG Unit) no encerramento. Na ponta ganhadora do Ibovespa, Direcional (+6,59%), Cury (+5,44%) e C&A (+4,36%). No lado oposto, Raízen (-8,74%), PetroReconcavo (-3,19%) e Brava (-2,59%).
"Mercado voltou a mostrar robustez, na medida em que havia receio quanto a uma correção maior neste começo de semana, que não veio. O trade de janeiro, temia-se, podia sofrer reversão. E o começo do dia era mesmo de certa aversão a risco, com visão de ajuste e realização de lucros", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. "Ainda não se pode descartar correções em fevereiro, que seria até natural, saudável e bem-vinda", acrescenta. "Mas há resiliência, para um mês que promete muita informação, ainda, com volatilidade esperada para o jogo."
Para Nícolas Merola, analista da EQI Research, a semana anterior ainda pesa sobre o que se vê, como desdobramento, para a que começa agora, como a definição de quem substituirá Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, Jerome Powell, em maio: Kevin Warsh, que já esteve no Fed. "Houve uma distensão severa em relação aos riscos que se associava a este evento substituição de Powell ao fim de seu mandato, ainda que Warsh seja um pouco mais dovish", diz Merola. Ele destaca os efeitos da decisão sobre o câmbio, os Treasuries e, também, sobre outros ativos defensivos como o ouro.
"Tendência é de que o dólar continue se apreciando", refletindo essa devolução de prêmio de risco, observa Merola, acrescentando que as futuras declarações de Warsh, no processo de confirmação do nome nos EUA, serão acompanhadas com lupa pelos investidores. A semana reserva pontos altos na agenda corporativa, com o prosseguimento da temporada corporativa que, na avaliação de Merola, não tem se mostrado tão homogênea, seja para os bancos, seja entre as grandes empresas de tecnologia. "Na agenda de dados, semana tende a ser mais calma, mas o noticiário corporativo tende a orientar os negócios", acrescenta.
0 Comentário(s)