O Ministério da Saúde lançou uma campanha reforçando a importância da camisinha, cujo uso está em queda entre o público mais jovem.A iniciativa, protagonizada pela cantora Gaby Amarantos, foca no carnaval e no uso de preservativos forma de evitar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Segundo o ministério, foram distribuídas 138 milhões de camisinhas nos últimos três meses para reforçar o estoque durante o feriado. Será o primeiro carnaval com a oferta de dois novos modelos de preservativo, o texturizado (TEX) e o ultrafino (Sensi), que entraram no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 60% da população não usa preservativos nas relações sexuais e a oferta de novas opções visa justamente aumentar a adesão ao método, que é efetivo na prevenção do HIV, hepatites virais, sífilis e outras ISTs, além de evitar gestações não planejadas.
Na época da incorporação, em agosto de 2025, Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), disse ao Estadão que a ampliação da variedade de preservativos era um avanço importante para as políticas de prevenção.
"O preservativo, quando usado com consistência, previne 100% a transmissão do HIV e tem um índice bastante alto de prevenção contra outras ISTs. A proteção depende, basicamente, da adesão. Quanto maior a aceitação e a disponibilidade de modelos que proporcionem mais prazer e adaptação, a adesão vai aumentar e nós, obviamente, teremos uma ampliação do potencial de prevenção", destacou.
Os novos produtos têm a mesma eficácia de proteção dos modelos anteriores. Do total de preservativos distribuídos para reforçar os estoques e atender à demanda do carnaval, cerca de 132 milhões são externos (colocados no pênis), texturizados e ultrafinos, e 3,8 milhões são internos (inseridos na vagina), feitos de látex ou nitrilo.
"Oferecendo essas diferentes opções, o SUS atende melhor à diversidade de preferências e necessidades da população. Os preservativos mais finos, por exemplo, proporcionam mais sensibilidade e prazer durante a relação sexual, e os modelos texturizados aumentam o conforto e a satisfação de ambos os parceiros", descreveu Naime.
"Isso é importante para reduzir as barreiras de uso, especialmente nas populações mais jovens, que ainda estão se acostumando com o uso do preservativo e associam as camisinhas à diminuição do prazer. Então, essa estratégia é muito importante e um exemplo claro de como estratégias de prevenção podem ser dinâmicas e adaptadas ao comportamento sexual", concluiu.
Prevenção combinada
Além da oferta de camisinhas, também estão disponíveis no SUS a vacinação contra hepatites, a testagem rápida, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), entre outras estratégias.
Após uma situação de risco, é possível recorrer à PEP, que deve ser iniciada em até 72 horas. O ministério também orienta a realização do autoteste de HIV como medida complementar de cuidado.
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