0

Diário de Notícias

DN.

Consultora que morreu após cirurgia ortognática gravou vídeo antes da operação: 'Sonho'

Em vídeo publicado nas redes sociais antes de ser submetida a uma cirurgia ortognática, a consultora financeira Kethiny Evinlyn Alves, de 34 anos, descreveu o procedimento como a realização de um sonho. A jovem buscava resolver problemas com dores de cabeça e no maxilar, incômodos na mastigação e na respiração que vinham desde a infância.

"É a cirurgia dos meus sonhos, mas eu não estou conseguindo nem dormir por conta dessa cirurgia. Muito preocupada com a cirurgia, com o pós-operatório, mas acredito que está nas mãos de Deus, porque eu estarei realizando um sonho", disse, emocionada.

Kethiny morreu na última quinta-feira, 22, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ela apresentou complicações no final do procedimento e foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.

A família registrou um boletim de ocorrência contra a Santa Casa do município, onde foi realizada a operação. Procurada pelo Estadão, a instituição não se manifestou. O espaço segue aberto.

A cirurgia ortognática é um procedimento de correção de alterações na estrutura óssea da face, em especial às que envolvem a má-formação de ossos como maxilar e mandíbula. O pós-operatório demanda observação de até três dias no hospital e alimentação líquida e pastosa por cerca de quatro semanas.

O procedimento foi realizado na Santa Casa de Guaratinguetá no último dia 20. Kethiny morreu dois dias depois. Segundo a mãe da jovem, Maria Francisca Alves, os médicos informaram que ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi entubada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. No entanto, não souberam explicar a causa do problema.

A família acusa a equipe médica de negligência e registrou denúncia na Delegacia Seccional de Guaratinguetá contra a Santa Casa, a fim de obter esclarecimentos sobre as causas da intubação. A irmã da vítima, Kevely Caetano, afirma que divergências entre a documentação médica e a certidão de óbito fizeram a familiar solicitar acesso ao prontuário médico, o que ainda não foi concedido.

"Não queremos fazer acusações sem provas, mas exigimos transparência e respostas sobre a morte da minha irmã", disse.

Segundo o Boletim de Ocorrência, ao qual o Estadão teve acesso, a equipe médica não apresentou uma conclusão definitiva sobre as possíveis causas da intercorrência.

A documentação médica indicou um quadro de choque e hipóxia (falta de oxigenação) ao final da cirurgia, além de outras intercorrências não esclarecidas. Já a guia de encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML) apontou choque refratário e uma possível lesão encefálica anóxica no pós-operatório. A certidão de óbito registra choque cardiogênico e choque distributivo.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.