A 17ª Conferência das Partes da Convenção da ONU de Combate à Desertificação terminou em 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, sem o acordo mais esperado do encontro: um mecanismo global para enfrentar as secas. A proposta vinha sendo discutida havia pelo menos três edições da conferência e foi novamente adiada — agora, para a COP18, que será realizada no Egito.
O impasse expôs posições bem distintas entre os países. Os Estados Unidos defenderam suspender de vez as discussões sobre o tema. Nações europeias aceitavam apenas mecanismos voluntários. Já os países africanos e o Brasil pressionaram por compromissos vinculantes, ou seja, obrigatórios. Sem consenso, a seca foi transformada em item permanente e independente da agenda, o que garante que o debate continue, mas sem prazo para decisão.
Na área financeira houve algum avanço. Governos, bancos de desenvolvimento, fundos e empresas anunciaram um portfólio de US$ 1,3 bilhão para restauração de terras e resiliência à seca em 23 países, além de um mecanismo de investimento que pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados. Os números, porém, ficam muito aquém da conta apresentada pela própria convenção: seriam necessários US$ 355 bilhões por ano até 2030, contra cerca de US$ 77 bilhões investidos atualmente. Cerca de 40% das terras do planeta já estão degradadas.
A reação de organizações ambientais foi de frustração. "Isso deixa um sabor amargo, porque a COP termina sem decisões substanciais", avaliou Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas. Richard Lee, da Wetlands International, disse que "comunidades e economias vão pagar o preço", e Christine Colvin, do WWF Global, classificou como profundamente frustrante o esvaziamento da ambição sobre o tema. O Brasil chegou ao encontro com a meta de atingir a neutralidade da degradação da terra até 2030, com restauração de mais de 163 mil km² e manejo sustentável de 3,51 milhões de km².
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