O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (15) a reunião de dois dias que vai definir o novo patamar da taxa Selic. A decisão será anunciada na quarta-feira (16), e a expectativa predominante no mercado financeiro é de um corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa básica de juros dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
Se confirmada, será a quinta redução consecutiva promovida pelo colegiado desde que a Selic atingiu 15% em junho de 2025, maior nível em cerca de duas décadas. A taxa é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação: juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam o consumo, enquanto cortes tendem a estimular a atividade econômica, com efeito defasado sobre preços e emprego.
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras divulgada na segunda-feira, reforçou o cenário de afrouxamento monetário. As projeções para o IPCA de 2026 caíram de 5% para 4,90%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB foi revisada de 1,93% para 1,89%. Para 2027, a mediana de inflação está em 4,30%. O câmbio segue projetado em R$ 5,20 por dólar, estável há 13 semanas consecutivas, e a Selic no fim de 2026 é estimada em 13,75%.
A leitura de que há espaço para novo corte foi reforçada pela deflação de 0,32% registrada pelo IPCA em agosto, com o índice acumulado em 12 meses desacelerando para 4,22%. Por outro lado, analistas apontam que a escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionou o petróleo acima de US$ 100 o barril, adiciona incerteza ao ritmo do ciclo de redução dos juros nos próximos meses.
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