A crise aberta no Supremo Tribunal Federal pela divulgação das conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixou de ser um assunto restrito ao mundo jurídico e passou a ocupar o centro da campanha presidencial, a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Adversários do governo transformaram o episódio em munição de palanque, enquanto aliados tentam circunscrever o caso à esfera institucional.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, no entanto, sugere que o impacto eleitoral direto é menor do que o barulho sugere. Segundo o levantamento, 85% dos entrevistados afirmam que as acusações contra Moraes não mudaram seu voto, e 86% dizem o mesmo sobre as suspeitas envolvendo o ministro André Mendonça. Apenas 4% relatam ter efetivamente mudado de preferência, e 7% dizem estar em dúvida por causa do caso. O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 8 e 10 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na mesma pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou de 38% para 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou de 33% para 35% — variações dentro da margem de erro. O conhecimento sobre o episódio é desigual: 66% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso, mas só 26% desses se consideram bem informados a respeito. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 75% conheciam o assunto, contra 61% dos eleitores de Lula.
Analistas ouvidos sobre o tema avaliam que o principal efeito da crise é indireto. O cientista político Caio Barbosa avalia que o desgaste institucional tende a favorecer candidaturas que se apresentam como alternativa ao sistema, como as de Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Já o analista Adriano Cerqueira observa que o caso reforça a narrativa de perseguição judicial explorada pelo campo bolsonarista, uma vez que Moraes relatou processos contra integrantes da família. O efeito colateral apontado por especialistas é o esvaziamento do debate sobre propostas na reta final da campanha.
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