Neste 5 de setembro o Brasil celebra o Dia da Amazônia, e é difícil encontrar outro lugar do planeta que faça tanta coisa ao mesmo tempo. A floresta se espalha por nove países da América do Sul, com mais da metade em território brasileiro, e abriga o bioma de maior biodiversidade do mundo. São dezenas de milhares de espécies de plantas, centenas de mamíferos, mais de mil espécies de aves e um número de insetos que a ciência sequer terminou de catalogar. A cada ano, novas espécies continuam sendo descritas por pesquisadores na região.
A Amazônia também é uma imensa engrenagem de água. Ali está a maior bacia hidrográfica do planeta, com o rio Amazonas e mais de dez mil afluentes. As árvores liberam vapor pela transpiração e formam os chamados "rios voadores", massas de umidade que atravessam o continente e influenciam o regime de chuvas de boa parte da América do Sul, incluindo o Centro-Oeste, o Sudeste e países vizinhos. É por isso que a floresta interessa também a quem mora a milhares de quilômetros dela: parte da água que abastece lavouras, reservatórios e torneiras no Brasil começa a viagem por lá.
Some-se a isso o carbono. A vegetação amazônica armazena um volume enorme de carbono em troncos, raízes e solo, funcionando como um dos maiores estoques naturais do mundo. Quando a floresta é derrubada ou queimada, esse carbono vai para a atmosfera e contribui para o aquecimento global — o caminho inverso do que a floresta em pé faz. E a Amazônia não é só natureza: vivem na Amazônia Legal cerca de 28 milhões de pessoas, entre moradores de grandes cidades como Manaus e Belém, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas e povos indígenas. Segundo o Censo 2022, o Brasil tem 1,7 milhão de indígenas, e mais da metade deles vive na região.
Os desafios do momento dão à data um tom prático. A região enfrentou secas severas nos últimos anos, com rios em níveis historicamente baixos, comunidades isoladas e prejuízos para transporte e abastecimento — episódios associados por cientistas à combinação de mudanças climáticas e desmatamento. Há, por outro lado, sinais positivos: levantamento do Imazon indicou 2.702 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma queda de 23% em relação ao período anterior e o menor patamar em 11 anos, com desmatamento zero em 60% das terras indígenas monitoradas. Os números variam conforme a metodologia e o sistema de monitoramento utilizado, mas apontam na mesma direção: proteger a floresta em pé continua sendo o caminho mais barato e mais eficiente de manter tudo o que ela oferece.
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