O Brasil celebra nesta sexta-feira, 14 de agosto, o Dia Nacional do Cardiologista. A data homenageia o profissional que se dedica ao órgão mais incansável do corpo humano — um músculo que bate cerca de 100 mil vezes por dia e bombeia perto de sete mil litros de sangue em 24 horas, sem folga, do útero ao último instante de vida. A escolha do dia está ligada à história da cardiologia organizada no país e à fundação da entidade que reúne a categoria, marco que profissionalizou o ensino, a pesquisa e a prática clínica da especialidade no Brasil.
A relevância da data não é simbólica. As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo, à frente de todos os tipos de câncer somados. Infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e arritmias respondem por centenas de milhares de óbitos anuais no país — e a maior parte deles seria evitável. Hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo e obesidade formam o conjunto de fatores de risco que o cardiologista passa a carreira inteira tentando desarmar antes que o dano se instale.
O trabalho desse especialista mudou bastante nas últimas décadas. Se antes a cardiologia era essencialmente reativa, atuando depois do evento agudo, hoje ela é cada vez mais preditiva: escores de risco, exames de imagem de alta resolução, monitoramento contínuo por dispositivos vestíveis e marcadores genéticos permitem identificar o problema anos antes do primeiro sintoma. Procedimentos que exigiam abertura do tórax hoje são feitos por cateter, e o tempo de recuperação despencou.
Ainda assim, o instrumento mais poderoso da especialidade continua sendo a conversa de consultório. Nenhum stent substitui a mudança de hábitos, e o cardiologista costuma ser o médico que precisa convencer o paciente a caminhar, dormir melhor, largar o cigarro e olhar para a própria pressão arterial antes que ela grite. Neste 14 de agosto, a homenagem cabe a quem trabalha para que o coração de outra pessoa continue batendo — e a lembrança de que a consulta preventiva vale mais do que qualquer emergência bem-sucedida.
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