Nesta quinta-feira (24) é celebrado o Dia do Mototaxista, data instituída em São Paulo pela Lei nº 13.202, de 2008. A homenagem alcança toda a categoria do motofrete — mototaxistas, motoboys e entregadores —, profissionais que fazem o transporte de pessoas e mercadorias sobre duas rodas e se tornaram indispensáveis à rotina das cidades brasileiras.
O que diferencia mototaxista de motoboy
A confusão é comum, e faz sentido: os dois trabalham sobre a mesma moto, enfrentam o mesmo trânsito e correm os mesmos riscos. A diferença está na carga.
O motoboy transporta objetos, documentos e mercadorias. O mototaxista transporta pessoas. Na prática, isso muda tudo — da responsabilidade legal ao tipo de equipamento exigido, já que ele precisa oferecer capacete ao passageiro e manter o veículo em condições de levar alguém na garupa com segurança.
Em muitas cidades brasileiras, principalmente no Norte e Nordeste e nas periferias das grandes capitais, o mototáxi não é alternativa: é o único transporte que chega. Ladeira, rua estreita, comunidade sem linha de ônibus, horário em que nada mais circula. Onde o carro não entra e o transporte público não passa, a moto vai.
Uma profissão regulamentada — no papel
A atividade é regida pela Lei Federal 12.009/2009, que estabelece requisitos claros: idade mínima de 21 anos, dois anos de habilitação na categoria A, curso de especialização, colete de segurança com faixas retrorrefletivas e placa vermelha, de aluguel.
Outras duas leis federais completam o cerco. A 12.436/2011 proíbe empregadores de adotar práticas que estimulem o aumento de velocidade. A 12.997/2014 reconhece a atividade como perigosa, garantindo adicional de periculosidade.
Em São Paulo, a Lei 18.105 passou a exigir cadastro dos entregadores e identificação obrigatória de mochilas e baús.
O problema não é a ausência de regra. É a fiscalização.
O que as estatísticas mostram
Só no estado de São Paulo, cerca de 650 mil motociclistas atuam na atividade, segundo o SindimotoSP — 320 mil deles na capital.
E a categoria está entre as que têm as maiores jornadas de trabalho do país, combinadas com uma das piores remunerações. O resultado aparece no trânsito: as mortes de motociclistas subiram 13,5% no estado, com forte concentração entre profissionais recém-chegados ao setor, empurrados pelo desemprego para uma atividade que exige treino e experiência.
O custo público também é alto. Em 2024, acidentes de moto consumiram R$ 233,3 milhões do SUS e R$ 35 milhões dos cofres da prefeitura de São Paulo.
Os desafios do dia a dia
Quem está na rua enfrenta um combinado difícil: trânsito intenso, chuva, sol forte, frio, jornadas longas para fechar a diária e risco constante de assalto — tanto da moto quanto da carga.
Boa parte trabalha por conta própria, o que significa arcar sozinha com combustível, manutenção, seguro, documentação e qualquer dia parado por acidente ou doença.
Durante a pandemia, a categoria foi classificada como essencial. Enquanto o país se isolava, eles seguiram nas ruas garantindo que remédio, comida e mercadoria chegassem à porta das pessoas.
Uma homenagem que cabe no volante
A data serve para reconhecimento. Mas quem está sobre a moto costuma dizer que homenagem não paga conta nem evita acidente.
O que evita é mais simples e está ao alcance de qualquer motorista: olhar o retrovisor antes de mudar de faixa, respeitar o corredor, não abrir a porta sem conferir e manter distância segura.
Cada corrida que chega rápido tem alguém atravessando a cidade inteira para que ela chegue.
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