O Brasil celebra nesta segunda-feira, 14 de setembro, o Dia Nacional do Frevo, uma das manifestações culturais mais emblemáticas do país. Marcado pelo ritmo acelerado das orquestras, pelos movimentos acrobáticos dos passistas e pelas tradicionais sombrinhas coloridas, o frevo nasceu em Pernambuco e atravessou gerações até conquistar reconhecimento internacional.
A história do gênero remonta às ruas do Recife entre o final do século XIX e o início do século XX. Na época, bandas militares e grupos musicais desfilavam pelas ruas durante as festas populares, enquanto capoeiristas acompanhavam os cortejos realizando movimentos que, com o passar dos anos, contribuíram para a formação da dança característica do frevo.
O próprio nome ajuda a contar essa história. A palavra “frevo” é associada a uma transformação popular do verbo “ferver”, expressão que representava a agitação das multidões nas ruas. O ritmo tornou-se especialmente ligado aos carnavais de Recife e Olinda, mas sua importância ultrapassou os limites da festa e passou a representar parte significativa da identidade cultural pernambucana e brasileira.
Ao longo do tempo, o frevo desenvolveu diferentes vertentes. O frevo de rua tem como principal característica a força instrumental das orquestras; o frevo-canção incorporou letras às melodias; e o frevo de bloco ganhou uma sonoridade própria, associada aos blocos líricos e a instrumentos de cordas. Juntas, essas manifestações mostram a diversidade existente dentro do próprio gênero.
A sombrinha também se transformou em um dos símbolos mais reconhecidos dessa tradição. Inicialmente relacionada aos movimentos realizados pelos passistas, ela ganhou tamanho reduzido e cores vibrantes, tornando-se praticamente inseparável da imagem do frevo. Os passos, por sua vez, exigem agilidade e incluem saltos, movimentos próximos ao chão e elementos herdados da capoeira.
A importância cultural da manifestação recebeu reconhecimento internacional em 2012, quando o Frevo: expressão artística do Carnaval do Recife foi inscrito pela Unesco na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O título reforçou a necessidade de preservar não apenas a música, mas também a dança, os conhecimentos dos músicos e passistas e a transmissão dessa tradição às novas gerações.
A escolha de 14 de setembro para a celebração nacional está relacionada ao aniversário do jornalista Oswaldo Oliveira, nascido em 1882 e associado aos primeiros registros da palavra “frevo” na imprensa. Pernambuco também mantém outra data tradicional ligada ao ritmo: 9 de fevereiro, referência ao primeiro registro conhecido do termo em um jornal recifense, no início do século XX.
Atualmente, instituições culturais, músicos, compositores, passistas e agremiações trabalham para manter viva essa tradição. No Recife, o Paço do Frevo funciona como espaço dedicado à pesquisa, preservação, formação e divulgação do patrimônio, reunindo atividades que ajudam a apresentar a história do gênero para moradores e visitantes.
Mais de um século depois de surgir nas ruas pernambucanas, o frevo permanece como uma expressão viva da cultura popular brasileira. A celebração desta segunda-feira funciona não apenas como homenagem ao ritmo, mas também como lembrança da importância de preservar manifestações que ajudam a contar a história, a diversidade e a identidade cultural do Brasil.
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