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Diário de Notícias

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Diabetes e outras doenças crônicas avançam no Brasil; governo lança estratégia Viva Mais Brasil para promoção da saúde

O Brasil enfrenta um avanço significativo de doenças crônicas entre a população adulta, com destaque para o aumento de 135% nos casos de diabetes nos últimos 18 anos, de acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde no início de 2026. A prevalência da doença passou de 5,5 % em 2006 para 12,9 % em 2024, segundo o levantamento Vigitel 2025, que monitora fatores de risco e proteção ligados a doenças crônicas por meio de entrevistas telefônicas em capitais brasileiras e no Distrito Federal.

O crescimento do diabetes faz parte de uma tendência mais ampla de elevação de condições associadas ao estilo de vida moderno. No mesmo período, a hipertensão arterial aumentou cerca de 31 %, enquanto a obesidade cresceu 118 % e o excesso de peso subiu 47 % entre os adultos brasileiros. Esses indicadores refletem mudanças nos padrões de alimentação, atividade física e no envelhecimento da população, tornando a prevenção uma prioridade para a saúde pública.

Especialistas apontam que fatores como sedentarismo, alimentação rica em alimentos ultraprocessados e redução de atividades físicas no deslocamento diário estão entre as principais causas para esse cenário preocupante. Embora a prática de atividade física moderada no tempo livre tenha aumentado nos últimos anos, isso tem sido insuficiente para frear a escalada das doenças crônicas, alertam pesquisadores de saúde pública.

Diante desse quadro, o governo federal lançou a estratégia “Viva Mais Brasil”, um programa nacional voltado para promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida da população. A iniciativa prevê um investimento de R$ 340 milhões em 2026, com ações que incluem a retomada e fortalecimento das Academias da Saúde, espaços comunitários que oferecem atividades físicas orientadas por profissionais vinculados às unidades básicas de saúde.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a proposta busca transformar o foco do sistema de saúde da doença para a promoção da saúde e prevenção, incentivando hábitos saudáveis que reduzam a necessidade de uso de medicamentos e melhorem a qualidade de vida dos brasileiros. Entre as metas do programa estão o estímulo à alimentação saudável, aumento da atividade física, redução do consumo de tabaco e álcool, fortalecimento da saúde nas escolas, ampliação da vacinação e uso de práticas integrativas de saúde.

Atualmente, o país conta com cerca de 1.775 unidades da Academia da Saúde, e a expectativa é credenciar mais 300 novos serviços até o final de 2026, ampliando o alcance das ações preventivas. Municípios que alcançarem determinados indicadores de qualidade na atenção primária à saúde poderão receber até 30 % mais recursos federais, incentivando políticas locais de prevenção e acompanhamento contínuo de pessoas em risco.

Os dados do Vigitel também trouxeram informações inéditas sobre hábitos de sono e atividade física no Brasil, revelando que mais de 20 % dos adultos dormem menos de seis horas por noite e que um terço da população relata sintomas de insônia, fatores que podem agravar o risco de doenças metabólicas.

A combinação do envelhecimento demográfico, mudanças nos estilos de vida e fatores ambientais reforça a urgência de políticas públicas integradas e contínuas para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, que são responsáveis por grande parte da morbidade e mortalidade no país.

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