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Diário de Notícias

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Diplomata da Argentina é chamada pelo Itamaraty para esclarecer fuga de Flávio Bolsonaro

A encarregada de Negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, esteve na quinta-feira, 29, no Ministério das Relações Exteriores (MRE) para prestar esclarecimentos sobre a recente passagem do candidato derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), pelo território do país vizinho. A informação foi publicada primeiramente pelo G1 e confirmada pelo Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

Até esta sexta-feira, 30, 107 países reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições ocorridas no último domingo, 25. Além deles, 11 organizações internacionais e blocos regionais também felicitaram o atual presidente pela sua reeleição. A Argentina e os Estados Unidos, países da América e membros do G20, grupo das principais economias do mundo, não se manifestaram sobre o resultado das eleições brasileiras.

Cortés se reuniu com o chefe do Departamento do Mercosul do ministério, João Marcelo Galvão de Queiroz. Esse procedimento - chamar um embaixador, ou, neste caso, um representante da embaixada - para prestar esclarecimentos é de praxe em casos como esse. É uma das formas, na diplomacia, de um País demonstrar descontentamento com uma atitude de outro País.

Após a "visita" ao Palácio do Itamaraty, é comum que diplomatas reportem o ocorrido a seus governos - no caso, o de Javier Milei.

Não foram marcadas novas reuniões para os próximos dias para discutir o assunto novamente. Em maio, por exemplo, o Itamaraty já tinha convocado a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para pedir esclarecimentos sobre um vídeo que mostrava ativistas, entre eles quatro brasileiros, detidos em uma flotilha com destino a Gaza ajoelhados, de mãos atadas e com a testa no chão.

Desde agosto deste ano, a Argentina está sem embaixador no Brasil. O então embaixador Guillermo Daniel Raimondi deixou o Brasil em agosto, após o governo Lula ter decidido rebaixar as relações com os argentinos para o nível de encarregados de negócios. A decisão do Brasil veio após seguidos ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao Brasil e a Lula.

O presidente brasileiro tem sido aconselhado por seus auxiliares a não escalar o desentendimento com a Argentina e com os Estados Unidos por causa da fuga de Flávio Bolsonaro nesta semana.

A convocação à representante da embaixada argentina foi um gesto diplomático para demonstrar o descontentamento com um possível envolvimento de auxiliares de Milei no plano de fuga do candidato derrotado à Presidência. O episódio, porém, não deve ter desdobramentos por parte do governo brasileiro.

Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos com a família. Após despistar a imprensa com informações contraditórias sobre sua localização, ele foi até a Argentina com a esposa e filhas, de onde partiu para os EUA em um avião particular. A rota do presidenciável derrotado não previa sobrevoo pelo Brasil e precisou de uma pausa no Equador para reabastecer a aeronave.

Apesar de seus passaportes brasileiros - um comum e um diplomático - já terem sido cancelados por uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio ingressou nos EUA com um documento italiano. Na véspera de sua partida do Brasil, uma fonte do Departamento de Estado americano informou à Broadcast que o governo dos EUA concedeu um visto especial para sua permanência no país, junto com a família.

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