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Diário de Notícias

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Dólar fecha a R$ 5,1340 e encerra fevereiro com desvalorização de 2,16%

Após trocas de sinal ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou esta sexta-feira, 27, em queda de 0,10%, a R$ 5,1340, mais uma vez nos menores níveis desde 21 de maio de 2024. Questões técnicas típicas de fim de mês, como a disputa pela formação da última taxa ptax do período e a rolagem de posições futuras, adicionaram volatilidade aos negócios, segundo operadores.

Lá fora, o dólar caiu frente outras moedas fortes e apresentou comportamento díspar na comparação com divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Entre pares do real, apenas o rand sul-africano conseguiu ganhar terreno. Os preços do petróleo subiram mais de 2%, diante da ausência de progresso nas negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano.

Com perdas de 0,81% na semana e de 2,16% em fevereiro, após recuo de 4,40% em janeiro, o dólar à vista acumula no ano desvalorização de 6,47% em relação ao real, que apresenta em 2026 o melhor desempenho entre as principais divisas emergentes e de exportadores de commodities, ao lado do dólar australiano.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, as oscilações foram até contidas para um dia marcado por disputa pela taxa ptax. Ele destaca que o dólar veio em queda nas últimas semanas de fevereiro em razão do fluxo estrangeiro e parece ter se firmado abaixo do nível técnico de R$ 5,15.

"Foi um fim de mês sem sobressaltos e não houve clima para uma tentativa de puxar o dólar para cima. Até porque o mercado espera continuidade do movimento de queda da taxa de câmbio", diz Galhardo, ressaltando que o aumento dos ruídos políticos, com disputas políticas no Congresso em torno de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), não abalaram os ativos locais. "A questão política tende a 'fazer preço' depois de abril."

A leitura acima das expectativas do IPCA-15 de fevereiro levou a uma leve redução das apostas em corte de 50 pontos-base da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em março, o que pode ter dado certo suporte ao real. O IPCA-15 acelerou de 0,20% em janeiro para 0,84% em fevereiro, acima do teto do Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, de 0,69%.

Operadores não notaram grande influência nos preços do levantamento do instituto Paraná Pesquisas que mostrou fortalecimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. Os números apresentados apenas confirmaram quadro desenhado pela pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta, que trouxe empate técnico entre Flávio e o ex-presidente Luiz Eduardo Lula da Silva em simulação de segundo turno.

Para o gerente de tesouraria do banco Daycoval, Otávio Oliveira, as notícias envolvendo a corrida eleitoral podem até provocar pequenos solavancos em momentos pontuais, mas não devem ter papel relevante na formação da taxa de câmbio antes do segundo semestre. Por ora, o ambiente externo, marcado por redução da exposição a ativos dolarizados e apetite por outras moedas fortes e divisas emergentes, tende a ser preponderante para o comportamento do real.

"A partir do meio do ano o mercado deve entrar no 'modo eleições', o que pode provocar mais volatilidade no câmbio. Nos próximos meses, há espaço para o dólar recuar um pouco mais e se aproximar de R$ 5,00", diz Oliveira, que vê o real amparado pela atratividade do carry trade, mesmo com o início de um ciclo de cortes da taxa Selic em março. "O IPCA-15 assustou um pouco. Mas o BC deve promover um corte de 50 pontos-base em março e uma redução total entre 250 e 300 pontos até o fim do ano".

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