Após recuar mais de 4% na semana passada, sob o impacto da dianteira de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da corrida presidencial, o dólar subiu frente ao real nesta terça-feira, 13, e voltou a fechar acima da linha de R$ 5,00. Operadores afirmam que houve um movimento de realização de lucros desencadeado pela safra mais recente de pesquisas eleitorais, que mostram uma disputa mais acirrada, além de menor apetite ao risco no exterior, com perdas de parte das divisas emergentes pares do real.
As manifestações favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de semana e a perspectiva de votação no Senado, nos próximos dias, do projeto que põe fim à escala 6x1, bandeira de campanha do petista, levam investidores a calibrar prêmios de risco embutidos no câmbio, à espera de sondagens eleitorais de mais peso. Amanhã, 14, é divulgado o levantamento da Quaest. Na quinta-feira, 15, é a vez da pesquisa do Datafolha.
Em alta desde a abertura, o dólar à vista furou o teto de R$ 5,00 no início dos negócios e alcançou máxima de R$ 5,0292 ainda pela manhã. Após rondar os R$ 5,01 ao longo da tarde, fechou a R$ 5,0204, em alta de 0,71%. Entre divisas latino-americanas, o peso mexicano e o peso chileno exibiram perdas entre 0,50% e 0,70%. A moeda americana recua 2,99% frente ao real em outubro, após queda de 0,10% em setembro.
"A proximidade do segundo turno das eleições traz certa cautela, ainda mais em um cenário em que as pesquisas mostram que a disputa está bastante apertada", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, ressaltando que na segunda, quando o mercado local esteve fechado em razão do feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida, houve aumento da aversão ao risco no exterior com a escalada do conflito no Oriente Médio.
Pesquisa PoderData/Ayaya divulgada nesta terça mostra Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula - um quadro de empate técnico, com queda de quatro pontos porcentuais na distância entre os candidatos em relação à sondagem anterior. Já o levantamento do BTG/Nexus traz o candidato do PL com 48%, três pontos à frente do petista (45%), o que também configura empate técnico.
Para o estrategista global de mercados e de câmbio do banco ING, Chris Turner, uma eventual vitória de Flávio pode desencadear uma nova rodada de valorização dos ativos brasileiros, dada a expectativa de um ajuste fiscal robusto. "Apesar de um ambiente externo desafiador, vemos espaço para a taxa de câmbio testar as mínimas do ano em R$ 4,90 e romper esse nível, recuando para patamares ainda mais baixos no próximo ano", afirma, em nota, Turner.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,38% por volta das 17h00, aos 102,202 pontos, devolvendo parte da alta de segunda, quando atingiu o maior nível em 18 meses com o aumento das tensões no Oriente Médio. Investidores aguardam a divulgação desta quarta-feira, 14, do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) referente a setembro. Na quinta, 15, sai o índice de preços ao produtor (PPI).
"É uma semana bastante relevante aos olhos do Federal Reserve, com a divulgação de indicadores de inflação que podem mexer com as expectativas em relação aos juros nos EUA. Isso também traz um sentimento maior de cautela", afirma Quartaroli, do Ouribank.
0 Comentário(s)