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Fed sobe juros pela primeira vez desde 2023

Fed sobe juros pela primeira vez desde 2023

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira (16) sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. A decisão foi unânime e marca a primeira alta desde julho de 2023, encerrando um longo período de estabilidade. Foi também a primeira reunião de política monetária comandada por Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed neste ano.

As projeções divulgadas junto com a decisão mostram um comitê preocupado com os preços: 16 dos 18 dirigentes esperam ao menos mais um aumento de 0,25 ponto até o fim de 2026, o que levaria a taxa à faixa de 4% a 4,25%, patamar que a maioria vê sendo mantido ao longo de 2027. As estimativas também indicam inflação PCE de 3,7% neste ano, desemprego de 4,1%, crescimento de 2,3% do PIB e retorno à meta de 2% apenas em 2029 — um ano mais tarde do que se previa antes.

O contexto ajuda a explicar a virada. A inflação ao consumidor seguiu em 3,4% no acumulado de 12 meses até agosto, o petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril em meio às tensões no Oriente Médio e os juros dos títulos do Tesouro americano de dez anos rondam os 5%. No comunicado, o Fed retirou a menção a choques temporários de oferta, sinal de que passou a enxergar pressões de preços mais disseminadas. Nos mercados, a alta já era amplamente esperada: ferramentas de monitoramento apontavam mais de 90% de probabilidade do movimento na véspera.

A decisão contraria a posição pública do presidente Donald Trump, que vinha defendendo juros mais baixos. Vale registrar, no entanto, que o Fed justificou a medida exclusivamente pelo quadro de inflação e pelo equilíbrio do mercado de trabalho — nenhuma motivação política foi declarada oficialmente pela instituição. Leituras que enxergam no aumento um recado ao governo são interpretações de analistas, e não parte do comunicado.

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